Poema de Gilgamés

Renê Fraga
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No fim do século passado foram descobertas, na colina de Kuyundjik, no Kazaquistão, doze placas de argila, escritas em acádico, que descrevem uma epopéia heróica: o Poema de Gilgamés

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Gilgamés foi rei de Uruk na Babilônia, hoje Iraque. O vitorioso herói seria dois terços deus e um terço homem e sua epopéia descreve episódios tão extraordinários que não poderiam ter sido inventados por nenhum ser inteligente da época nem por tradutores e copistas dos séculos subseqüentes.
O poema contém o relato exato do dilúvio, concorrente em “originalidade” com o da Bíblia: conta Utnapishtim ( ele e sua esposa foram os únicos mortais à quem os deuses teriam dado a “vida eterna” ) – que os deuses o advertiram da grande maré vindoura e lhe deram ordem para construir um barco, onde deveria recolher mulheres e crianças, seus parentes e artesãos de qualquer ramo de arte.

A descrição da tempestade, das trevas, das águas subindo e do desespero dos homens que ele não podia levar, é de uma força narrativa ainda hoje cativante.
Outra surpresa está na sétima placa: o primeiro relato de uma viagem cósmica, comunicado por Enkidu ( uma espécie de humanóide gigante, peludo e melhor amigo de Gilgamés ), que teria voado por quatro horas nas “garras de bronze de uma águia”… O relato textual:

“Ela me falou:
– Olha para baixo sobre a Terra!
– Que aspecto tem?
– Olha para o mar!
– Como te parece?
E a Terra era como uma montanha, e o mar como uma poça d’água.
E novamente voou ela mais alto e me falou:
– Olha para baixo sobre a Terra!
– Que aspecto tem?
– Olha sobre o mar!
– Como te parece?
E a Terra era como um jardim, e o mar como um córrego.
E voou além:
– Olha para baixo sobre a Terra!
– Que aspecto tem?
– Olha sobre o mar!
– Como te parece?
E a Terra parecia um mingau de farinha, e o mar era como uma barrica d’água”

( Esta mesma descrição foi dada pelos astronautas da Apollo 11…). É um relato correto demais para ser puro produto da imaginação! Quem poderia descrever esta visão em um tempo onde não tinha-se idéia de com seria o planeta “visto de cima”? Ainda na mesma placa está o relato de que uma porta falava com um vivo, não seria um auto-falante?…

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Renê Fraga é criador do Arquivo UFO e editor-chefe do Eurisko. Atua com projetos digitais desde 1996 e mantém interesse contínuo pela ufologia, história e investigação de fenômenos aéreos não identificados. No Arquivo UFO, dedica-se à preservação de registros históricos, documentos e análises contextuais, conectando passado e presente em uma abordagem crítica e investigativa.
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