Este mês marca um marco histórico para a ufologia e a busca por inteligência extraterrestre: completam-se 30 anos do início do Projeto Phoenix, uma das iniciativas mais ambiciosas do SETI Institute (Search for Extra-Terrestrial Intelligence) na busca por respostas para uma das perguntas mais antigas da humanidade: estamos sozinhos no universo?
Tudo começou em fevereiro de 1995, quando o projeto realizou suas primeiras observações astronômicas no Observatório de Parkes, na Austrália, utilizando um dos maiores radiotelescópios do hemisfério sul. Mas essa jornada quase não saiu do papel.
Três anos antes, em 1993, a NASA havia perdido o financiamento de seu programa SETI devido ao corte de verbas pelo Congresso dos EUA, motivado pelo déficit orçamentário e pelo ceticismo de alguns políticos, que ridicularizaram a busca por “homenzinhos verdes”.
Felizmente, o SETI Institute conseguiu apoio de doadores privados e ressuscitou o projeto, que ganhou o nome simbólico de Phoenix, em referência à mitológica ave que renasce das cinzas.
Escutando o cosmos
A estratégia do SETI é fascinante: se há vida inteligente lá fora, é provável que ela tenha evoluído em planetas orbitando estrelas semelhantes ao nosso Sol.
Por isso, o projeto focou em estrelas próximas e parecidas com a nossa, buscando por sinais de rádio que poderiam ser enviados intencionalmente ou ser “tecnossignaturas” — sinais gerados por tecnologias de civilizações avançadas.
O radiotelescópio de Parkes, conhecido como Murriyang, foi a peça-chave nessa busca. Com 64 metros de diâmetro, ele é capaz de detectar ondas de rádio que atravessam nuvens de gás e poeira cósmica, viajando distâncias inimagináveis.
O Projeto Phoenix começou oficialmente em 2 de fevereiro de 1995, quando o Murriyang foi apontado para uma estrela a 49 anos-luz da Terra, na constelação de Fênix.
Durante 16 semanas, a equipe, liderada pela renomada pesquisadora Jill Tarter (inspiração para o personagem de Jodie Foster no filme Contato), observou 209 estrelas, analisando frequências entre 1.200 e 3.000 mega-hertz. Apesar de alguns desafios curiosos — como mariposas gigantes que interferiam nos computadores —, o projeto foi um sucesso logístico e tecnológico.
Sinais promissores, mas…
Ao longo das observações, o Projeto Phoenix detectou 148.949 sinais, dos quais 80% foram descartados como interferências terrestres, como sinais de celulares, GPS e radares. Dos 18.000 sinais analisados em detalhes, apenas 39 pareciam candidatos promissores.
No entanto, após uma investigação minuciosa, todos foram atribuídos a satélites humanos. Como Jill Tarter resumiu em 1997: “Embora nenhuma evidência de sinal de inteligência extraterrestre tenha sido encontrada, nenhum sinal misterioso ou inexplicado foi deixado para trás.”
Apesar dos resultados aparentemente negativos, o Projeto Phoenix pavimentou o caminho para futuras buscas. Em 2015, o Breakthrough Listen, outro projeto privado, deu continuidade à missão, utilizando o telescópio de Parkes e outras instalações para examinar um milhão de estrelas próximas e 100 galáxias.
Em 2019, um sinal intrigante foi detectado, mas, após análises detalhadas, também foi descartado como interferência local.
O futuro da busca por vida extraterrestre
A próxima geração de radiotelescópios promete revolucionar a busca por vida alienígena. Projetos como o SKA-Low, em construção na Austrália Ocidental, e o SKA-Mid, na África do Sul, oferecerão uma sensibilidade sem precedentes, permitindo explorar frequências mais amplas e distâncias ainda maiores.
Como disse Frank Drake, pioneiro do SETI, “a coisa mais fascinante e interessante que você pode encontrar no universo não é outro tipo de estrela ou galáxia… mas outro tipo de vida.”
Enquanto aguardamos as próximas descobertas, o legado do SETI e do Projeto Phoenix nos lembra que a busca por respostas sobre nossa existência no cosmos continua viva — e cada vez mais próxima de revelar segredos que podem mudar tudo o que sabemos sobre o universo.
