Cientista diz ter “desvendado” o Triângulo das Bermudas

Renê Fraga
3 min de leitura

Por décadas, o Triângulo das Bermudas foi cercado por mistério, medo e teorias mirabolantes.

Uma área do Atlântico delimitada por Flórida, Bermuda e Antilhas Maiores, onde mais de 50 navios e 20 aviões desapareceram no último século, sem deixar rastros.

Para muitos, um portal para outra dimensão, um esconderijo de alienígenas ou até a localização perdida da mítica Atlântida.

Mas, segundo o cientista australiano Karl Kruszelnicki, a verdade pode ser bem menos fantástica e muito mais lógica.

O “mistério” que não é mistério

Kruszelnicki afirma que não existe nada de sobrenatural no Triângulo das Bermudas. Para ele, tudo se resume a probabilidade, condições climáticas traiçoeiras e erros humanos.

E ele não está sozinho nessa visão: a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA) e até a tradicional seguradora Lloyd’s of London defendem a mesma explicação há décadas.

Em 2010, a NOAA foi direta: “Não há evidências de que desaparecimentos misteriosos ocorram com mais frequência no Triângulo das Bermudas do que em qualquer outra área oceânica movimentada.”

Kruszelnicki reforça que a região é uma das mais navegadas do mundo, com tráfego intenso de navios e aviões.

Estatisticamente, o número de incidentes é proporcional ao volume de viagens — nem mais, nem menos do que em outros lugares.

O papel da natureza e da bússola “confusa”

A NOAA lembra que o Triângulo das Bermudas é um ponto onde a natureza pode ser implacável:

  • Corrente do Golfo: capaz de mudar o clima de forma brusca e violenta.
  • Muitas ilhas: que tornam a navegação mais complexa.
  • Anomalias magnéticas: que podem fazer a bússola apontar para o norte verdadeiro, e não para o norte magnético, confundindo pilotos e navegadores.

Para a Marinha e a Guarda Costeira dos EUA, a combinação de forças da natureza e falhas humanas explica praticamente todos os casos.

E os desaparecimentos famosos?

Mesmo episódios lendários, como o Voo 19, cinco aviões militares que sumiram em 1945, têm explicações plausíveis. Segundo Kruszelnicki, havia mau tempo e erros de navegação envolvidos. Nada de portais interdimensionais ou monstros marinhos.

Mas por que o mito persiste?

A resposta é simples: histórias de alienígenas, cidades submersas e forças sobrenaturais são muito mais emocionantes do que falar de estatísticas e tempestades.

Livros, filmes e séries ajudaram a transformar o Triângulo das Bermudas em um ícone da cultura pop e, para muitos, é mais divertido acreditar no mistério do que na matemática.

Kruszelnicki, no entanto, mantém sua posição desde 2017: “Os números não mentem.”

E, pelo visto, o Triângulo das Bermudas pode ser menos um enigma e mais um exemplo de como a imaginação humana adora preencher lacunas com histórias fantásticas.

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Renê Fraga é criador do Arquivo UFO e editor-chefe do Eurisko. Atua com projetos digitais desde 1996 e mantém interesse contínuo pela ufologia, história e investigação de fenômenos aéreos não identificados. No Arquivo UFO, dedica-se à preservação de registros históricos, documentos e análises contextuais, conectando passado e presente em uma abordagem crítica e investigativa.
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