✨ Principais destaques:
- Astrônomos detectaram a explosão de rádio mais brilhante já registrada no espaço.
- O fenômeno, conhecido como FRB (Fast Radio Burst), libera em milissegundos a energia que o Sol emitiria em dias.
- A descoberta pode confirmar a teoria de que magnetars, estrelas mortas com campos magnéticos absurdamente fortes, são os responsáveis por esses enigmáticos sinais.
O que são os misteriosos FRBs?
Imagine um raio cósmico invisível aos olhos humanos, surgindo do nada, viajando bilhões de quilômetros no espaço e chegando até nós em forma de ondas de rádio. É exatamente isso que chamamos de FRBs — Rajadas Rápidas de Rádio.
O fenômeno é tão intrigante que até hoje não sabemos com certeza o que o provoca. O primeiro FRB foi identificado em 2007, e desde então astrônomos do mundo inteiro têm se dedicado a rastrear sua origem.
O caso mais recente, batizado de FRB 20250316A ou, de forma bem mais popular, RBFLOAT (sigla em inglês para “Explosão de Rádio Mais Brilhante de Todos os Tempos”) foi registrado em março de 2025 e já entrou para a história da astronomia.
Uma explosão de energia fora da escala humana
Para se ter uma ideia da magnitude deste evento, o RBFLOAT liberou em menos de um segundo a mesma quantidade de energia que o Sol emite em quatro dias inteiros.
E tudo aconteceu a cerca de 130 milhões de anos-luz de distância, na galáxia NGC 4141.
Graças ao supertelescópio canadense CHIME e seus novos detectores auxiliares, chamados de Outriggers, foi possível não só registrar o evento, mas também localizar com precisão quase microscópica o ponto de onde o sinal partiu.
Para ter uma ideia, é como “enxergar uma moeda de 25 centavos a 100 km de distância”, explicaram os pesquisadores.
Essa precisão permitiu identificar que o FRB surgiu em uma região próxima ao braço espiral de uma galáxia, em um local cheio de estrelas em formação, mas curiosamente um pouco afastado da área onde novos astros nascem.
O que levanta uma questão fascinante: teria um magnetar se formado ali de forma isolada ou teria sido lançado para fora de sua região de origem?
O olhar afiado do James Webb e novas pistas
Logo após a detecção, os cientistas apontaram o Telescópio Espacial James Webb para a região.
E os dados revelaram algo surpreendente: uma fonte de luz infravermelha próxima ao ponto do FRB, possível indicação de uma estrela gigante ou até mesmo de um sistema binário, onde um objeto invisível (como uma estrela de nêutrons) poderia estar roubando material de sua companheira e produzindo explosões energéticas.
Embora ainda não haja consenso, as pistas fortalecem a teoria de que magnetars estejam por trás de, pelo menos, parte dessas rajadas. No entanto, o fenômeno continua cheio de enigmas: alguns FRBs se repetem em padrões, como um “coração cósmico”, enquanto outros, como o RBFLOAT, parecem ocorrer uma única vez e depois nunca mais.
Se todos os FRBs repetem ou se existem diferentes “tipos” de rajadas ainda é uma das grandes perguntas no ar. O certo é que cada nova observação traz uma peça desse quebra-cabeça universal.
Por que isso importa tanto?
Estudar fenômenos como o RBFLOAT não é apenas uma curiosidade astronômica.
Esses sinais podem ajudar cientistas a mapear o universo de uma forma inédita, revelando a distribuição de matéria entre as galáxias e até mesmo pistas sobre a evolução das estrelas mais massivas.
Enquanto isso, o CHIME e seus detectores continuam de olhos atentos ao céu. A cada ano, eles devem localizar centenas de novos FRBs. Quem sabe, no meio deles, não aparece outro tão impressionante quanto este?
No fim das contas, eventos como o RBFLOAT nos lembram de que o universo ainda guarda segredos que nem a ciência mais avançada consegue decifrar por completo. E talvez seja justamente esse mistério que o torne tão fascinante.
