Rochas marcianas podem guardar pistas de vida extraterrestre, dizem cientistas

Renê Fraga
4 min de leitura

✨ Principais destaques:

  • Uma rocha apelidada de Cheyava Falls pode conter sinais de antigos microrganismos em Marte.
  • O rover Perseverance já coletou uma amostra desse material, que pode ser analisada futuramente na Terra.
  • A descoberta é vista como “um potencial biossinal”, mas ainda não é confirmação de vida marciana.

Será que Marte já foi um planeta habitado por microrganismos? Essa é uma das questões mais intrigantes da ciência moderna, e uma rocha peculiar encontrada pelo rover Perseverance, da NASA, trouxe novas pistas que reacendem o mistério.

Apelidada de “Cheyava Falls”, essa rocha de aparência manchada pode conter marcas de processos que, na Terra, geralmente estão associados à atividade biológica.

Os cientistas acreditam que entender sua formação pode nos aproximar da resposta para uma das maiores perguntas da humanidade: estamos sozinhos no universo?

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Um retrato de Marte em seu passado “molhado”

A rocha foi descoberta em uma região chamada Jezero Crater, um local que, bilhões de anos atrás, era o leito de um rio e abrigava um grande lago.

É exatamente esse passado aquático que faz de Jezero um dos lugares mais promissores para a busca de sinais de vida.

Dentro da rocha, foram identificados pequenos pontos escuros chamados de “sementes de papoula” e manchas maiores apelidadas de “manchas de leopardo”.

Essas estruturas contêm elementos como ferro, fósforo e enxofre, em padrões que, aqui na Terra, geralmente surgem da interação de microrganismos com minerais.

Mesmo assim, os cientistas lembram que processos puramente químicos também poderiam explicar o que vemos em Cheyava Falls.


Um possível “biossinal”, mas com cautela

A análise publicada na revista Nature descreve a presença de minerais como vivianita (fosfato de ferro) e greigita (sulfeto de ferro).

Na Terra, esses minerais estão relacionados a ambientes onde micróbios utilizam ferro e enxofre em seus ciclos metabólicos.

O que os torna verdadeiros “marcadores de vida”, mas apenas em circunstâncias específicas.

E aqui está a grande questão: para confirmar que esses minerais em Marte tenham realmente origem biológica, seria necessário saber se se formaram em condições frias e superficiais, onde a vida poderia existir, e não em ambientes muito quentes e hostis.

Segundo Joel Hurowitz, cientista da equipe do Perseverance, “ainda não é prova de vida, mas é um indício muito interessante de que vale a pena investigar mais a fundo”.


E agora? A busca continua…

O Perseverance já retirou um núcleo da rocha, guardado em um tubo chamado Sapphire Canyon. Porém, para termos certeza sobre a origem desses sinais, será preciso trazê-lo até a Terra através da ambiciosa missão Mars Sample Return.

Esse projeto ainda enfrenta incertezas financeiras e pode ser adiado ou até cancelado, mas é considerado essencial para respondemos se já houve vida em Marte.

Enquanto isso, a comunidade científica comemora o avanço. Para Janice Bishop, pesquisadora do SETI Institute, “essas reações químicas mostram que havia energia disponível para microrganismos.

A busca ainda está no começo, mas já temos mais motivos para acreditar no potencial de vida passada em Marte.”

Seja qual for o resultado, a rocha Cheyava Falls nos lembra algo fascinante: cada descoberta em Marte nos aproxima de entender melhor não só o planeta vermelho, mas também a própria história da vida no universo.

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Renê Fraga é criador do Arquivo UFO e editor-chefe do Eurisko. Atua com projetos digitais desde 1996 e mantém interesse contínuo pela ufologia, história e investigação de fenômenos aéreos não identificados. No Arquivo UFO, dedica-se à preservação de registros históricos, documentos e análises contextuais, conectando passado e presente em uma abordagem crítica e investigativa.
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