Principais destaques:
- ✨ O cometa interestelar 3I/ATLAS sobreviveu à passagem próxima do Sol e voltou ainda mais brilhante do que antes.
- ☄️ Ele desafia as expectativas científicas ao dobrar sua luminosidade em relação às previsões iniciais.
- 🪐 Essa é apenas a terceira vez na história que um objeto vindo de outro sistema estelar visita nosso Sistema Solar.
Um viajante que desafiou o Sol
Imagine um cometa vindo das profundezas do espaço interestelar, cruzando nosso Sistema Solar numa jornada de apenas uma vez. Esse é o 3I/ATLAS, o terceiro objeto interestelar já registrado pela humanidade — depois de 1I/ʻOumuamua (2017) e 2I/Borisov (2019).
O 3I/ATLAS passou perigosamente perto do Sol em 29 de outubro, chegando a apenas 203 milhões de quilômetros de distância, e muitos esperavam que ele fosse se desintegrar. Mas aconteceu o oposto: ele sobreviveu ao calor extremo e reapareceu duas vezes mais brilhante do que o previsto, deixando os astrônomos perplexos.
Uma explosão de brilho e cores inesperadas
Durante sua aproximação, o cometa foi monitorado por diversos satélites — entre eles o STEREO-A, o SOHO e o GOES-19. Os instrumentos mostraram um aumento abrupto de luminosidade, num padrão muito acima do normal para cometas da famosa Nuvem de Oort.
Os cientistas Qicheng Zhang, do Observatório Lowell, e Karl Battams, do Laboratório de Pesquisa Naval dos EUA, calcularam que o brilho do 3I/ATLAS cresceu de maneira inversamente proporcional à sétima potência e meia da sua distância ao Sol — algo inédito e quase o dobro da taxa típica de outros cometas.
Além disso, ele ganhou uma coloração azulada incomum, resultado da liberação intensa de gases voláteis, como cianogênio e amônia, que estavam congelados sob sua superfície. Essa “pintura cósmica” despertou teorias curiosas, incluindo uma proposta do astrofísico Avi Loeb, de Harvard, que mencionou a possibilidade — ainda que remota — de o comportamento do cometa esconder uma assinatura tecnológica.
Agora visível novamente — mas por pouco tempo
Após um período em que ficou ofuscado pelo brilho solar, o 3I/ATLAS voltou a ser visível em 3 de novembro, surgindo no horizonte leste antes do amanhecer, a cerca de nove graus do horizonte. Ele tem uma magnitude entre 10 e 11, o que significa que só pode ser observado por telescópios amadores, até aproximadamente meados de dezembro.
Uma campanha internacional de observação, organizada pela NASA e pela Agência Espacial Europeia (ESA), acompanhará o fenômeno até janeiro de 2026. Inclusive, a missão JUICE, da ESA, fará uma observação dedicada em 4 de novembro. A passagem mais próxima do cometa pela Terra ocorrerá em 19 de dezembro, quando ele estará a 268 milhões de quilômetros do nosso planeta.
Para os astrônomos, trata-se de uma chance única de estudar um mensageiro vindo de outro sistema estelar — carregando, talvez, pistas sobre o que ocorre nos cantos mais distantes da galáxia.
