Principais destaques:
- Um astrônomo propõe que o primeiro contato com alienígenas pode ocorrer quando essas civilizações já estão entrando em colapso.
- A ideia é chamada de Hipótese Eschatiana e desafia visões otimistas ou apocalípticas de Hollywood.
- Civilizações em crise seriam mais fáceis de detectar por emitirem sinais intensos e fora do padrão.
Quando imaginamos o encontro com vida inteligente fora da Terra, o cenário costuma ser grandioso. Ou alienígenas extremamente avançados, prontos para compartilhar conhecimento, ou invasores hostis determinados a dominar o planeta. Mas uma nova hipótese científica sugere algo bem mais inquietante.
Segundo o astrônomo David Kipping, da Columbia University, o primeiro contato da humanidade com uma civilização extraterrestre pode acontecer justamente quando ela estiver à beira do próprio fim.
O que é a Hipótese Eschatiana
A chamada Hipótese Eschatiana parte de uma comparação curiosa com a astronomia tradicional. Ao observar o céu noturno, muitas das estrelas visíveis estão em seus momentos finais de vida. Elas se tornam maiores e mais brilhantes justamente quando estão prestes a colapsar.
Para Kipping, o mesmo padrão pode se aplicar a civilizações alienígenas. Em seus últimos estágios, elas tenderiam a emitir sinais intensos, desorganizados e difíceis de ignorar. Não por estabilidade ou avanço moral, mas por estarem enfrentando crises profundas.
Por que civilizações em colapso seriam mais visíveis
De acordo com o astrônomo, detectar vida inteligente no universo depende muito de volume e intensidade. Uma civilização estável pode ser silenciosa e discreta. Já uma sociedade em crise tende a produzir sinais extremos, seja por consumo excessivo de energia, comunicações descontroladas ou tecnologias usadas de forma desesperada.
Isso tornaria essas civilizações muito mais fáceis de identificar a grandes distâncias. Em outras palavras, não seriam representativas da média do universo, mas chamariam atenção justamente por seu comportamento atípico.
E se nós formos esse exemplo
A hipótese levanta uma questão desconfortável. Se civilizações em colapso são mais fáceis de detectar, isso significa que a humanidade também pode estar se tornando visível pelo mesmo motivo. Emissões crescentes, mudanças climáticas e uso acelerado de recursos poderiam nos colocar em um estágio semelhante ao descrito por Kipping.
A Hipótese Eschatiana não afirma que o fim é inevitável, mas convida à reflexão. Talvez o universo não esteja cheio de sociedades iluminadas esperando para nos guiar. Talvez estejamos observando os ecos finais de civilizações que chegaram longe demais, rápido demais.
