Militares admitem versões ensaiadas sobre o ET de Varginha

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • Um ex-militar afirma que parte dos depoimentos sobre o ET de Varginha foi inventada e ensaiada.
  • Outros militares se contradizem: dois negam hoje o que disseram no passado, enquanto um mantém a versão.
  • As três mulheres que viram a criatura em 1996 seguem sustentando o mesmo relato após quase 30 anos.

O Caso Varginha, um dos episódios ufológicos mais famosos do mundo, voltou ao centro das atenções após a exibição da série documental O Mistério de Varginha.

A produção, exibida pela TV Globo e no Globoplay, trouxe depoimentos inéditos que colocam em xeque versões defendidas por décadas, especialmente as envolvendo militares do Exército e do Corpo de Bombeiros.

Enquanto parte das testemunhas voltou atrás e passou a classificar tudo como farsa, outras mantêm suas histórias. O contraste reacendeu o debate público e reforçou o caráter enigmático do caso que projetou a cidade de Varginha internacionalmente.

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Militares admitem farsa e relatam pressão para mentir

Um dos momentos mais impactantes do documentário é o depoimento de um ex-soldado que afirma que sua participação no caso foi baseada em um relato criado e ensaiado.

Segundo ele, na época houve promessa de pagamento e orientação sobre exatamente o que deveria ser dito em gravações que se tornariam famosas.

Outro ex-militar, do Corpo de Bombeiros, também negou anos depois a autenticidade de um áudio histórico em que dizia que a criatura “não era deste mundo”. Em gravação posterior, ele afirma que tudo foi fruto de manipulação e que se arrependeu profundamente do depoimento.

Essas revelações contrastam com a postura de um terceiro militar, que ainda sustenta ter visto uma criatura sendo levada a um hospital, embora outros entrevistados levantem suspeitas de que ele teria lucrado com o relato.

Ufólogos se defendem e negam qualquer manipulação

As acusações atingem diretamente ufólogos que investigaram o caso nos anos 1990, entre eles Vitório Pacaccini, um dos principais nomes ligados às primeiras apurações.

Ele nega ter pago ou coagido testemunhas e afirma que apenas colheu relatos espontâneos de pessoas assustadas com possíveis represálias.

Outros pesquisadores também rejeitam a ideia de fraude organizada e alegam que há uma tentativa deliberada de desmoralizar a ufologia brasileira.

Para eles, mesmo com contradições, ainda existem pontos não explicados de forma convincente.

Relato das três meninas segue firme após quase 30 anos

Em meio a tantas versões conflitantes, um ponto chama atenção: o depoimento das três jovens que disseram ter visto a criatura em um terreno baldio em janeiro de 1996.

Hoje adultas, elas mantêm a mesma narrativa, com detalhes consistentes, apesar do impacto negativo que o episódio trouxe para suas vidas pessoais.

Alguns ufólogos, inclusive antigos defensores da existência do ET, passaram a afirmar que esse pode ser o único núcleo autêntico da história. Para eles, o restante do caso teria sido construído posteriormente, alimentado por suposições, boatos e interesses financeiros.

Ao revisitar documentos, áudios e testemunhos, O Mistério de Varginha não entrega uma resposta definitiva, mas expõe como um episódio local se transformou em uma lenda global.

Três décadas depois, o ET de Varginha segue menos como um enigma científico e mais como um retrato fascinante de memória, crença e contradição humana.

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Renê Fraga é criador do Arquivo UFO e editor-chefe do Eurisko. Atua com projetos digitais desde 1996 e mantém interesse contínuo pela ufologia, história e investigação de fenômenos aéreos não identificados. No Arquivo UFO, dedica-se à preservação de registros históricos, documentos e análises contextuais, conectando passado e presente em uma abordagem crítica e investigativa.
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