Principais destaques:
- Um ex-militar afirma que parte dos depoimentos sobre o ET de Varginha foi inventada e ensaiada.
- Outros militares se contradizem: dois negam hoje o que disseram no passado, enquanto um mantém a versão.
- As três mulheres que viram a criatura em 1996 seguem sustentando o mesmo relato após quase 30 anos.
O Caso Varginha, um dos episódios ufológicos mais famosos do mundo, voltou ao centro das atenções após a exibição da série documental O Mistério de Varginha.
A produção, exibida pela TV Globo e no Globoplay, trouxe depoimentos inéditos que colocam em xeque versões defendidas por décadas, especialmente as envolvendo militares do Exército e do Corpo de Bombeiros.
Enquanto parte das testemunhas voltou atrás e passou a classificar tudo como farsa, outras mantêm suas histórias. O contraste reacendeu o debate público e reforçou o caráter enigmático do caso que projetou a cidade de Varginha internacionalmente.

Militares admitem farsa e relatam pressão para mentir
Um dos momentos mais impactantes do documentário é o depoimento de um ex-soldado que afirma que sua participação no caso foi baseada em um relato criado e ensaiado.
Segundo ele, na época houve promessa de pagamento e orientação sobre exatamente o que deveria ser dito em gravações que se tornariam famosas.
Outro ex-militar, do Corpo de Bombeiros, também negou anos depois a autenticidade de um áudio histórico em que dizia que a criatura “não era deste mundo”. Em gravação posterior, ele afirma que tudo foi fruto de manipulação e que se arrependeu profundamente do depoimento.
Essas revelações contrastam com a postura de um terceiro militar, que ainda sustenta ter visto uma criatura sendo levada a um hospital, embora outros entrevistados levantem suspeitas de que ele teria lucrado com o relato.
Ufólogos se defendem e negam qualquer manipulação
As acusações atingem diretamente ufólogos que investigaram o caso nos anos 1990, entre eles Vitório Pacaccini, um dos principais nomes ligados às primeiras apurações.
Ele nega ter pago ou coagido testemunhas e afirma que apenas colheu relatos espontâneos de pessoas assustadas com possíveis represálias.
Outros pesquisadores também rejeitam a ideia de fraude organizada e alegam que há uma tentativa deliberada de desmoralizar a ufologia brasileira.
Para eles, mesmo com contradições, ainda existem pontos não explicados de forma convincente.
Relato das três meninas segue firme após quase 30 anos
Em meio a tantas versões conflitantes, um ponto chama atenção: o depoimento das três jovens que disseram ter visto a criatura em um terreno baldio em janeiro de 1996.
Hoje adultas, elas mantêm a mesma narrativa, com detalhes consistentes, apesar do impacto negativo que o episódio trouxe para suas vidas pessoais.
Alguns ufólogos, inclusive antigos defensores da existência do ET, passaram a afirmar que esse pode ser o único núcleo autêntico da história. Para eles, o restante do caso teria sido construído posteriormente, alimentado por suposições, boatos e interesses financeiros.
Ao revisitar documentos, áudios e testemunhos, O Mistério de Varginha não entrega uma resposta definitiva, mas expõe como um episódio local se transformou em uma lenda global.
Três décadas depois, o ET de Varginha segue menos como um enigma científico e mais como um retrato fascinante de memória, crença e contradição humana.
