Principais destaques:
- O misterioso objeto interestelar 3I/ATLAS surpreendeu os astrônomos ao perder e recuperar sua cauda após passar pelo Sol.
- A China foi a primeira a divulgar imagens do cometa, enquanto a NASA ainda mantém suas capturas inéditas devido à paralisação do governo.
- A coloração verde intensa do cometa foi explicada por uma reação química envolvendo moléculas de carbono.
Um visitante cósmico que desafia as expectativas
Imagine um cometa vindo de outro sistema estelar, cruzando o nosso Sistema Solar em uma jornada milenar e, de repente, fazendo algo completamente imprevisível.
É isso que está acontecendo com o 3I/ATLAS, o terceiro objeto interestelar já detectado pela humanidade.
Depois de passar por trás do Sol, ele surgiu de volta aos telescópios com um detalhe intrigante: sua cauda, que antes brilhava intensamente, parecia ter simplesmente desaparecido.
No entanto, poucos dias depois, como num passe de mágica cósmica, a cauda ressurgiu agora ainda mais complexa, com múltiplos jatos se estendendo no espaço.
As primeiras imagens pós-periélio, feitas em 5 de novembro pelo Observatório R. Naves, na Espanha, mostravam o 3I/ATLAS “careca”, sem o característico rastro de poeira e gás.
Mas no dia 8, o astrônomo amador austríaco Michael Jäger registrou uma estrutura de cauda repleta de detalhes. Aparentemente, a cauda sempre esteve lá — apenas alinhada na direção da Terra, o que criou uma ilusão de ótica que a fez desaparecer momentaneamente de nossas câmeras.
Imagens espaciais revelam novos detalhes (e segredos)
Quem também conseguiu flagrar esse visitante misterioso foi a missão chinesa Tianwen-1, que capturou imagens do 3I/ATLAS entre os dias 1º e 4 de outubro, quando ele passou a cerca de 29 milhões de quilômetros de Marte.
As fotos mostraram um núcleo sólido cercado por uma densa coma — uma “nuvem” de poeira e gases que pode alcançar milhares de quilômetros de extensão.
A NASA também registrou o objeto com seu poderoso satélite Mars Reconnaissance Orbiter, usando a câmera HiRISE, capaz de gerar imagens até três vezes mais detalhadas do que as obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble. Contudo, essas imagens seguem sob sigilo devido à paralisação do governo norte-americano desde 1º de outubro.
Enquanto isso, autoridades e cientistas pedem transparência. A deputada Anna Paulina Luna enfatizou a importância dos dados: “Compreender esse visitante interestelar é essencial para ampliar nosso conhecimento sobre o universo e suas origens.”
O brilho verde e o mistério da cauda “invisível”
Se o comportamento da cauda chama atenção, o mesmo pode ser dito sobre a tonalidade verde que envolve o 3I/ATLAS. Segundo o pesquisador Qicheng Zhang, do Observatório Lowell (EUA), esse brilho vem de uma reação entre luz ultravioleta e moléculas de carbono.
Ao atingir o cometa, os raios UV quebram compostos orgânicos complexos, criando moléculas de carbono diatômico — responsáveis pela cor verde que muitos cometas exibem ao se aproximar do Sol.
Zhang acredita também que a cauda nunca desapareceu, mas que o ângulo de observação enganou os telescópios terrestres.
Já o renomado astrofísico Avi Loeb, de Harvard, argumenta que a ausência de uma cauda visível contradiz modelos tradicionais, pois cálculos indicam que o cometa perdeu até 13% de sua massa ao passar pelo Sol, o suficiente para produzir uma cauda intensa.
As novas observações de Jäger, com múltiplas estruturas de cauda, parecem dar força à hipótese de Zhang: a cauda está lá, apenas vista de frente.
💡 O 3I/ATLAS é apenas o terceiro visitante interestelar confirmado a cruzar o Sistema Solar, após ‘Oumuamua, em 2017, e 2I/Borisov, em 2019.
Sua passagem final pela Terra acontecerá em 19 de dezembro de 2025, a cerca de 273 milhões de quilômetros, antes de seguir rumo a Júpiter, em março de 2026. Até lá, os telescópios continuarão apontados para ele — tentando descobrir o que mais esse viajante das estrelas ainda pode revelar.
