Steven Greer critica visão religiosa de JD Vance sobre UFOs

Renê Fraga
5 min de leitura

Principais destaques

  • JD Vance afirma não acreditar em alienígenas e sugere origem demoníaca para UFOs
  • Steven Greer rebate com críticas severas e acusa desinformação
  • Debate ganha novo tom ao misturar religião, política e ciência em um dos temas mais sensíveis da atualidade

Uma nova controvérsia envolvendo o fenômeno UFO tomou conta do debate público após declarações do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, que levantaram mais dúvidas do que respostas.

Durante uma entrevista concedida em março, o político surpreendeu ao afirmar que não acredita que os objetos não identificados sejam de origem extraterrestre. Em vez disso, sugeriu que poderiam estar ligados a algo muito mais antigo e, para muitos, inquietante: forças demoníacas.

A fala rapidamente se espalhou e provocou reações intensas, principalmente entre pesquisadores e entusiastas do tema. Para muitos, a associação entre UFOs e religião representa um retrocesso em um momento em que o assunto vinha sendo tratado com maior seriedade institucional e científica.

A declaração que gerou espanto

Durante a conversa em podcast, Vance foi direto ao expor sua visão pessoal. Ele afirmou que, na sua opinião, os fenômenos observados não seriam alienígenas. Em seguida, acrescentou que acredita que esses eventos podem estar ligados a “demônios”, citando inclusive tradições religiosas como base para seu pensamento.

A declaração causou estranhamento imediato. Embora o vice-presidente tenha ressaltado que se trata de uma visão pessoal, o fato de vir de uma das figuras mais influentes do governo norte-americano elevou o tom da discussão. Para críticos, esse tipo de posicionamento pode influenciar negativamente a forma como o público interpreta o fenômeno.

A resposta contundente de Steven Greer

A reação mais marcante veio de Steven Greer, um dos nomes mais conhecidos no movimento global por transparência sobre UFOs. Em um vídeo recente, ele não poupou críticas à fala de Vance, classificando-a como imprudente e potencialmente perigosa.

Greer argumenta que a narrativa de “demônios” não apenas carece de base científica, como também pode fazer parte de uma estratégia deliberada de desinformação. Segundo ele, associar o fenômeno a elementos religiosos pode desviar a atenção daquilo que considera ser a verdadeira natureza dos UFOs.

Na visão do pesquisador, muitos dos objetos avistados desde meados do século XX seriam, na realidade, resultado de tecnologias avançadas desenvolvidas a partir de engenharia reversa de origem não humana. Ele afirma que essas descobertas foram mantidas em sigilo por décadas.

Risco de pânico e conflitos ideológicos

Um dos pontos mais preocupantes levantados por Greer é o impacto social desse tipo de discurso. Para ele, classificar UFOs como entidades demoníacas pode desencadear medo coletivo, alimentar extremismos religiosos e até gerar conflitos em escala global.

Ele alerta que, em um cenário de divulgação mais ampla de informações, a forma como o tema é apresentado ao público será decisiva. Uma abordagem baseada no medo ou em crenças pode gerar reações imprevisíveis, enquanto uma comunicação baseada em ciência tenderia a promover compreensão e estabilidade.

Greer também reforça que o avanço nesse campo poderia trazer benefícios concretos, especialmente no desenvolvimento de novas tecnologias energéticas capazes de transformar a economia global. No entanto, reconhece que muitas dessas ideias ainda são alvo de ceticismo dentro da comunidade científica.

Entre crença, política e ciência

O episódio evidencia uma tensão crescente entre diferentes formas de interpretar o fenômeno UFO. De um lado, há figuras políticas que recorrem a explicações baseadas em crenças pessoais. De outro, pesquisadores que defendem uma abordagem científica, ainda que muitas vezes controversa.

A fala de Vance mostra como o tema ultrapassou o campo da curiosidade e passou a ocupar espaço relevante no debate institucional. Ao mesmo tempo, a resposta de Greer revela o quanto o assunto continua cercado por disputas narrativas e interpretações divergentes.

Enquanto novas informações continuam surgindo e o interesse público cresce, especialistas alertam que a responsabilidade na comunicação será essencial. Em um tema tão sensível, a linha entre esclarecimento e pânico pode ser mais tênue do que parece.

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Renê Fraga é criador do Arquivo UFO e editor-chefe do Eurisko. Atua com projetos digitais desde 1996 e mantém interesse contínuo pela ufologia, história e investigação de fenômenos aéreos não identificados. No Arquivo UFO, dedica-se à preservação de registros históricos, documentos e análises contextuais, conectando passado e presente em uma abordagem crítica e investigativa.
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