Pentágono libera sexto arquivo de OVNIs e expõe estudos sobre “warp drive”, buracos de minhoca e efeitos no corpo

Renê Fraga
12 min de leitura

Principais destaques

  • 71 arquivos foram liberados: O sexto lote reúne documentos, vídeos e um áudio, com registros que vão de 1952 a 2025.
  • Um programa secreto chamou atenção: Documentos do antigo AAWSAP detalham estudos sobre tecnologias como propulsão por massa negativa, antigravidade e “warp drives”.
  • Alguns casos continuam sem explicação: Entre os arquivos estão relatos militares recentes, vídeos de objetos não identificados e registros históricos da investigação de UFOs nos EUA.

Washington ganhou mais uma leva de documentos sobre fenômenos aéreos não identificados. E, desta vez, o pacote mistura de tudo um pouco: arquivos históricos, vídeos militares, relatos policiais e estudos que parecem ter saído de um roteiro de ficção científica.

O Pentágono divulgou na sexta-feira seu sexto lote de documentos sobre UAPs, sigla usada pelo governo americano para “fenômenos anômalos não identificados”, termo que substituiu em boa parte dos registros oficiais a palavra UFO.

Ao todo, são 71 arquivos. Desses, 67 foram fornecidos pelo Departamento de Defesa e quatro vieram de autoridades locais do Colorado.

A coleção inclui 55 PDFs, 15 vídeos e um arquivo de áudio. E há um detalhe importante: 64 dos 71 arquivos têm algum tipo de informação ocultada.

📂 Um arquivo que atravessa décadas: Os documentos liberados cobrem um período que vai de 1952 a 2025, colocando na mesma coleção investigações da Guerra Fria e registros de incidentes militares muito mais recentes.

Pentagon releases sixth batch of UFO files

A parte mais curiosa envolve um programa de 2008 🛸

Entre os documentos, o material que mais chama atenção está relacionado ao Advanced Aerospace Weapon System Applications Program, ou AAWSAP.

Criado pela Defense Intelligence Agency, a DIA, em 2008, o programa tinha como objetivo estudar ameaças aeroespaciais que poderiam surgir nas décadas seguintes.

O projeto terminou em 2012.

Um documento que descreve seus objetivos afirma que a iniciativa buscava compreender a física e a engenharia de aplicações aeroespaciais avançadas relacionadas a possíveis ameaças estrangeiras, com horizonte que chegava até 2050.

E aí a lista começa a ficar bem mais incomum.

Os arquivos incluem 37 Defense Intelligence Reference Documents, conhecidos como DIRDs, que tratam de assuntos como:

• warp drives, ou propulsão capaz de distorcer o espaço-tempo;
• buracos de minhoca;
• antigravidade;
• propulsão baseada em massa negativa;
• camuflagem ou invisibilidade;
• materiais e tecnologias aeroespaciais avançadas.

Mas há uma ressalva fundamental.

💡 Estudar não significa comprovar: O próprio Pentágono afirma que os DIRDs devem ser entendidos como trabalhos de referência e síntese, e não como pesquisas originais. A documentação também não deve ser interpretada como uma validação atual das ideias discutidas.

Ou seja, encontrar um estudo governamental sobre um warp drive não significa que os Estados Unidos tenham construído uma nave capaz de atravessar a galáxia.

Então por que esses documentos importam? 🔎

Na prática, a novidade não é necessariamente a existência dos 37 estudos.

Todos eles já estavam disponíveis publicamente havia anos, inclusive por meio de solicitações baseadas na Freedom of Information Act, a lei americana de acesso a documentos públicos.

O que muda nesta divulgação são alguns detalhes que anteriormente haviam sido ocultados.

Entre eles estão informações sobre quais escritórios da agência produziram os documentos.

É uma diferença burocrática, mas relevante para quem tenta reconstruir como o governo americano organizou suas pesquisas sobre tecnologias consideradas potencialmente avançadas.

E é justamente aí que o assunto fica menos “ETs” e mais história da inteligência militar.

Um estudo saiu da ficção e foi parar na medicina

Um dos DIRDs se destaca dos demais.

Trata-se de um estudo técnico de 38 páginas, produzido em 2010, sobre possíveis lesões sofridas por pessoas expostas a sistemas aeroespaciais avançados e anômalos.

O documento descreve três indivíduos considerados anteriormente saudáveis e fisicamente ativos que teriam passado por um evento aeroespacial considerado anômalo.

Depois, eles apresentaram diferentes sintomas.

Entre os relatos estavam calor e vermelhidão na pele, queda de cabelo e outros problemas médicos. Um dos indivíduos teria apresentado sinais descritos no documento como compatíveis com doença provocada por radiação e, anos depois, sinais de transformações malignas.

⚠️ A origem da exposição não foi identificada: O estudo não determinou qual teria sido a fonte responsável pelos sintomas. Os três indivíduos foram descritos como engenheiros de antenas.

O autor comparou os casos a 42 incidentes publicados e cerca de 300 episódios não publicados de lesões convencionais provocadas por radiofrequência, nos quais a origem da radiação era conhecida.

A conclusão apresentada no documento foi uma hipótese: a existência de incidentes suficientemente documentados poderia sustentar a possibilidade de que alguns sistemas avançados já estivessem em operação sem que os Estados Unidos tivessem compreensão completa sobre eles.

Isso é uma hipótese registrada em um documento de pesquisa, não uma confirmação independente de que alguma tecnologia desconhecida tenha causado os episódios.

E os vídeos? A história continua sem uma resposta simples 🎥

Grande parte dos vídeos divulgados segue um padrão conhecido das liberações anteriores.

São imagens captadas por câmeras militares, geralmente com baixa resolução, mostrando objetos que parecem se deslocar de maneira incomum ou difícil de identificar.

Um dos casos registrados em 2022, no Oriente Médio, envolve um objeto descrito como viajando a velocidades entre 80 e 180 milhas por hora, aproximadamente 129 a 290 km/h.

Segundo o relatório da missão, operadores militares observaram objetos em altitudes desconhecidas.

Eles foram estimados em aproximadamente 1 a 2 metros de tamanho e descritos como voando de maneira esporádica dentro da área monitorada.

Nada disso, por si só, estabelece a origem dos objetos.

Outro caso, também no Oriente Médio, ocorreu em 2025.

O relatório fala em seis pequenos objetos esféricos que pareciam ágeis e mudavam frequentemente de direção. O incidente permanece classificado como não resolvido.

🛸 O ponto central dos arquivos não é que os objetos tenham sido identificados como extraterrestres. É justamente o contrário: alguns continuam sem uma explicação determinada.

Quatro vídeos vieram de policiais do Colorado 🚓

A nova leva também deixa o ambiente militar de lado por alguns minutos.

Quatro dos vídeos foram enviados por autoridades locais do Colorado ao escritório do Pentágono responsável pela investigação de UAPs.

As gravações foram feitas por celulares em outubro de 2023.

Em um dos relatos, o policial descreveu o fenômeno como silencioso e mencionou luzes piscando nas cores vermelha, azul e verde.

O material foi parcialmente desfocado, segundo as informações divulgadas pelo Departamento de Defesa.

É um tipo diferente de registro, mas segue a mesma dificuldade básica: observar algo incomum não significa automaticamente saber o que aquilo era.

Um áudio de 1952 resgata o começo da investigação 👀

A coleção também volta para uma época em que “UFO” ainda era a expressão dominante.

Entre os arquivos está uma gravação de aproximadamente uma hora, acompanhada de transcrição, de uma apresentação feita em 1952 pelo oficial da Força Aérea americana Edward Ruppelt.

Ruppelt explicava a investigação conduzida pela Força Aérea sobre relatos de UFOs.

Segundo ele, a organização havia analisado cerca de 800 relatos e aproximadamente 20% continuavam sem explicação.

O ponto interessante está na própria formulação de Ruppelt. Os casos que permaneciam misteriosos eram descritos como relatos considerados confiáveis, mas para os quais não era possível chegar a uma conclusão.

Isso ajuda a colocar os documentos atuais em perspectiva.

🔎 O mistério é antigo: décadas antes das câmeras digitais, sensores modernos e vídeos militares que hoje circulam na internet, investigadores americanos já lidavam com relatos que não conseguiam explicar completamente.

E Ruppelt ainda teria outro papel importante

O oficial posteriormente comandaria o Project Blue Book, programa da Força Aérea dedicado à investigação de UFOs entre 1952 e 1969.

Outros documentos relacionados ao Project Blue Book também aparecem nesta sexta leva.

A sequência cria uma espécie de linha do tempo dentro do próprio arquivo: relatos investigados durante a Guerra Fria, estudos sobre tecnologias futuristas produzidos nos anos 2000 e registros militares recentes.

São épocas muito diferentes, mas a pergunta permanece parecida.

O que exatamente foi observado?

O Pentágono também abriu uma porta para novos relatos 🗣️

A divulgação dos arquivos acontece poucos dias depois de outra medida anunciada pelo Departamento de Defesa.

Na segunda-feira, o Pentágono informou a criação de uma autorização jurídica que permitiria a funcionários atuais e antigos, anteriormente submetidos a acordos de confidencialidade, compartilhar com o governo informações relacionadas a UAPs.

A medida acrescenta uma nova camada ao processo.

Agora, além de documentos históricos e gravações, o governo americano está criando mecanismos para receber informações de pessoas que estiveram vinculadas diretamente a programas ou atividades relacionadas ao tema.

Isso não significa que todas as informações recebidas serão confirmadas. Significa que existe uma tentativa institucional de ampliar o conjunto de dados disponível para análise.

Mais arquivos, mais perguntas?

A sexta divulgação mostra que o arquivo americano sobre UAPs é muito mais amplo do que uma coleção de vídeos de objetos estranhos no céu.

Há documentação de inteligência, pesquisas técnicas, relatos médicos, registros policiais, missões militares e materiais históricos.

Também há muita coisa que continua obscurecida por tarjas.

E talvez essa seja a imagem que melhor representa o momento atual: uma sala de arquivos que vai ficando maior a cada abertura de gaveta, mas que nem sempre entrega uma resposta junto com o documento.

O próximo passo, portanto, não é necessariamente descobrir uma nave escondida em algum hangar. É separar, dentro de décadas de relatos, hipóteses e registros incompletos, aquilo que pode ser explicado daquilo que permanece genuinamente desconhecido.

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Renê Fraga é criador do Arquivo UFO e editor-chefe do Eurisko. Atua com projetos digitais desde 1996 e mantém interesse contínuo pela ufologia, história e investigação de fenômenos aéreos não identificados. No Arquivo UFO, dedica-se à preservação de registros históricos, documentos e análises contextuais, conectando passado e presente em uma abordagem crítica e investigativa.
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