Chefe da NASA admite possibilidade de aliens, mas vê outra explicação para os UFOs

Renê Fraga
11 min de leitura

Principais destaques

  • NASA quer participar da investigação: Jared Isaacman diz que a agência deve estar envolvida caso fenômenos anômalos tenham origem extraterrestre.
  • Tecnologia secreta também está no radar: para o administrador, alguns avistamentos podem representar um novo “momento Sputnik”, com adversários testando tecnologias militares avançadas.
  • A busca por vida continua: Isaacman lembra que a humanidade ainda não sabe se existe vida em oceanos subterrâneos de luas como Europa e Encélado, muito menos em outros sistemas estelares.

A NASA não está dizendo que descobriu alienígenas.

Mas seu administrador, Jared Isaacman, também não parece disposto a fechar a porta para essa possibilidade.

Em uma entrevista recente ao programa The Hill, da NewsNation, Isaacman foi questionado sobre os vídeos e relatos de objetos que apresentam características de voo difíceis de explicar.

A resposta foi cautelosa, mas chamou atenção.

“Se são aliens, acho que a NASA deveria ter um lugar à mesa.”

A frase resume uma mudança importante no tom da conversa sobre os chamados UAPs, ou fenômenos anômalos não identificados. Em vez de tratar automaticamente os relatos como ficção científica, Isaacman defende uma postura mais aberta.

Um novo “momento Sputnik”? 🚀

Para entender o raciocínio do administrador, é preciso voltar a 1957.

Naquele ano, a União Soviética colocou o Sputnik 1 em órbita e provocou um choque nos Estados Unidos. O satélite era relativamente simples, mas demonstrava que os soviéticos haviam conseguido alcançar uma capacidade tecnológica com implicações militares e estratégicas enormes.

Isaacman acredita que alguns dos fenômenos observados atualmente poderiam representar algo semelhante.

🔎 O ponto central: talvez não sejam extraterrestres. Talvez sejam tecnologias humanas que ainda não conhecemos.

“É potencialmente tecnologia vermelha?”, perguntou o administrador, referindo-se à possibilidade de uma potência adversária estar testando sistemas de propulsão ou tecnologias de próxima geração.

Para Isaacman, essa hipótese está “certamente no campo do possível”.

E ela pode ser bem mais preocupante para Washington do que um visitante de outro planeta.

E se forem realmente aliens? 👽

Mesmo colocando a hipótese extraterrestre sobre a mesa, Isaacman não afirma que os objetos observados sejam naves alienígenas.

Quando perguntado sobre o que seu “instinto” dizia, ele apontou primeiro para explicações mais convencionais.

Na visão dele, uma possibilidade é que alguns dos relatos sejam provocados por fenômenos naturais que ainda não foram devidamente compreendidos.

A segunda possibilidade é justamente o cenário de um novo “momento Sputnik”: equipamentos secretos, sistemas furtivos ou tecnologias militares experimentais sendo testados.

Mas existe uma terceira questão.

E ela é justamente aquela que a NASA deveria ajudar a responder: estamos sozinhos?

A própria vizinhança ainda é um mistério 🌌

Isaacman fez questão de ampliar a discussão.

A humanidade costuma olhar para planetas a dezenas ou centenas de anos-luz em busca de vida, mas ainda conhece relativamente pouco sobre alguns dos mundos que estão praticamente no nosso quintal cósmico.

Ele citou duas luas particularmente interessantes de nosso Sistema Solar: Europa, que orbita Júpiter, e Encélado, que orbita Saturno.

As duas possuem oceanos subterrâneos.

E isso muda completamente a conversa sobre vida extraterrestre.

🌊 O detalhe que pesa: segundo Isaacman, ainda não conseguimos afirmar de maneira conclusiva que não exista vida nesses ambientes.

Se não sabemos responder nem mesmo essa pergunta dentro do Sistema Solar, fica ainda mais difícil fazer afirmações definitivas sobre bilhões de estrelas.

Isaacman lembrou que a Via Láctea abriga bilhões de estrelas e que existem cerca de dois trilhões de outras galáxias no universo observável.

Ou seja, a pergunta “existe vida fora da Terra?” continua aberta em uma escala muito maior do que qualquer discussão sobre vídeos de objetos estranhos no céu.

UFO virou UAP, mas o problema continua 🛸

A mudança de terminologia também faz parte dessa história.

O governo americano passou a utilizar cada vez mais o termo UAP, abreviação de Unidentified Anomalous Phenomena, para tratar de fenômenos que não foram identificados.

A categoria é mais ampla do que o tradicional UFO.

Ela pode envolver objetos ou fenômenos observados no céu, no oceano ou até no espaço.

Isso também evita colocar uma conclusão extraterrestre dentro do próprio nome do fenômeno.

Um objeto não identificado é, antes de tudo, um objeto não identificado.

Não significa automaticamente uma nave alienígena.

A Casa Branca também entrou no jogo 📂

A discussão ganhou uma dimensão política depois que Donald Trump pediu a liberação de arquivos relacionados a UFOs e UAPs.

O esforço passou a ser associado ao Presidential Unsealing and Reporting System for UAP Encounters, conhecido pela sigla PURSUE.

Segundo Isaacman, a NASA já possui participação nesse processo.

Isso coloca a agência espacial em uma posição interessante.

A NASA tradicionalmente está associada à exploração científica do espaço, mas agora também pode acabar envolvida na análise de fenômenos que ficam na fronteira entre ciência, defesa e inteligência.

E essa fronteira é justamente onde as coisas ficam mais complicadas.

O problema dos denunciantes ⚠️

Existe ainda outro capítulo nessa história.

No início de setembro, o Departamento de Guerra americano anunciou uma espécie de dispensa legal para pessoas que desejassem fornecer informações sobre UAPs dentro do sistema PURSUE.

Militares, funcionários civis e contratados poderiam divulgar determinadas informações protegidas por acordos de confidencialidade, desde que o material fosse encaminhado aos representantes autorizados.

Mas isso não significa que alguém recebeu autorização para simplesmente procurar a imprensa e contar tudo.

Robert Powell, membro do conselho executivo da Scientific Coalition for UAP Studies, explicou que a proteção é muito mais limitada.

Segundo ele, a possibilidade já existia em outra forma desde a legislação de 2023 que autorizava pessoas com acesso atual ou anterior a informações sobre UAPs, protegidas por acordos de confidencialidade do governo americano, a fornecer essas informações ao AARO.

A nova medida acrescentaria uma segunda agência capaz de receber os relatos.

Só que existe uma grande diferença

O problema é que a proteção não significa imunidade geral.

🗣 O detalhe jurídico: a autorização não necessariamente protege um denunciante contra leis criminais relacionadas à divulgação de informações classificadas.

Powell também aponta que a medida não explica claramente como um potencial denunciante pode identificar ou entrar em contato com os representantes do PURSUE.

E existe outra limitação: a proteção não se estende necessariamente a acordos de confidencialidade assinados com empresas privadas.

Isso deixa uma pergunta bastante prática.

Se alguém aparecer dizendo que sabe da existência de uma nave alienígena armazenada em uma base militar, por exemplo, como essa história será verificada?

Sem evidência, continua sendo apenas uma história 🔍

Esse é provavelmente o ponto mais importante de toda a discussão.

Uma denúncia pode ser extraordinária. Mas isso não significa que ela seja verdadeira.

Powell levanta justamente esse problema ao imaginar uma pessoa alegando conhecer uma suposta nave extraterrestre mantida na Edwards Air Force Base, na Califórnia.

Sem acesso aos dados que permitam verificar a afirmação, sobra apenas o testemunho.

“Ele disse, ela disse.”

E, até agora, segundo Powell, o Congresso não demonstrou disposição suficiente para usar seu poder de intimação e obrigar os órgãos militares a fornecer informações que poderiam ajudar a esclarecer determinadas alegações.

Isso limita bastante o impacto prático de novos mecanismos de denúncia.

Então são aliens ou tecnologia secreta? 🤔

Isaacman não escolheu nenhum dos dois.

E talvez essa seja justamente a parte mais interessante da declaração.

O administrador da NASA defende que a investigação comece com uma mente aberta, mas não transforma fenômenos não identificados em evidência de vida extraterrestre.

Seu próprio palpite parece inclinar-se para fenômenos naturais ou tecnologias humanas avançadas.

Ao mesmo tempo, ele reconhece que a ciência ainda não respondeu uma questão muito maior: se existe vida além da Terra.

💡 E isso muda o tamanho da pergunta: investigar um objeto estranho no céu é uma coisa. Descobrir vida em Europa ou Encélado seria outra completamente diferente.

Por enquanto, as duas histórias continuam misturadas no imaginário público.

De um lado, vídeos de objetos com características aparentemente incomuns.

Do outro, oceanos escondidos sob quilômetros de gelo em luas distantes.

Entre os dois existe uma enorme quantidade de perguntas sem resposta.

E, se algum dia surgir uma resposta realmente extraordinária, Isaacman parece querer garantir que a NASA esteja sentada à mesa quando ela chegar.

Afinal, o próximo “momento Sputnik” pode não revelar uma civilização alienígena. Pode simplesmente mostrar que alguém na Terra está muito mais avançado tecnologicamente do que imaginávamos. Ou, quem sabe, finalmente obrigar a humanidade a ampliar a pergunta que a NASA tenta responder há décadas: há alguém lá fora?

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Renê Fraga é criador do Arquivo UFO e editor-chefe do Eurisko. Atua com projetos digitais desde 1996 e mantém interesse contínuo pela ufologia, história e investigação de fenômenos aéreos não identificados. No Arquivo UFO, dedica-se à preservação de registros históricos, documentos e análises contextuais, conectando passado e presente em uma abordagem crítica e investigativa.
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