Carta esquecida de 1953 revela relato de OVNI e é encontrada por acaso em feira de antiguidades

Renê Fraga

Principais destaques

  • Uma carta datilografada de 1953, descrevendo um suposto disco voador sobre Durban, na África do Sul, foi encontrada dentro de uma caixa de papéis e objetos sem relação entre si em um mercado de pulgas na Inglaterra.
  • O relato de Barbara Graves chama atenção porque dois oficiais da Força Aérea Sul-Africana disseram ter observado objetos aéreos não identificados sobre Durban no mesmo dia.
  • O documento, considerado raro por especialistas em leilões, foi colocado à venda com estimativa de £300 a £500, embora sua importância histórica vá muito além do possível valor financeiro.

Imagine comprar uma caixa cheia de papéis antigos e objetos aparentemente sem importância e descobrir, no meio daquele material, uma carta escrita há mais de 70 anos por uma mulher que dizia ter visto um disco voador.

Foi exatamente isso que aconteceu no sudoeste da Inglaterra. O documento, produzido em 1953, permaneceu escondido por décadas até ser encontrado dentro de uma caixa de itens diversos adquirida em um mercado de pulgas. Agora, a carta voltou a chamar atenção por registrar em primeira pessoa uma experiência que aconteceu durante um dos períodos mais marcantes da história dos relatos sobre objetos voadores não identificados.

A carta foi escrita por Barbara Graves, que vivia em Durban, na África do Sul, e enviada para sua amiga Muriel Armfield, residente em Chertsey, no condado inglês de Surrey. Trata-se de uma correspondência datilografada, enviada por correio aéreo, com endereços escritos à mão. O documento mede aproximadamente 19,5 por 26 centímetros e apresenta marcas compatíveis com sua longa história de conservação, incluindo uma dobra, uma pequena rasgadura e uma marca deixada por fita adesiva.

O mais curioso é que Graves não escreveu para um jornal, uma organização especializada ou uma autoridade. Ela simplesmente contou a uma amiga aquilo que dizia ter visto.

E talvez seja justamente essa característica que tornou o documento tão interessante.

O dia em que Barbara Graves disse ter visto um disco voador

O episódio aconteceu em 8 de março de 1953, um domingo. Barbara Graves estava nos Jardins Botânicos de Durban acompanhada de Tom, identificado na carta como seu marido em relatos posteriores sobre o caso. Os dois estavam tirando fotografias quando uma situação aparentemente comum acabou dando origem a uma história que seria preservada por mais de sete décadas.

Segundo a descrição de Graves, Tom pediu que ela olhasse para cima para receber a luz do sol no rosto. Foi nesse momento que ela percebeu um objeto redondo muito alto no céu.

A primeira impressão da testemunha foi de que o objeto estava se deslocando. Ela chamou a atenção de Tom e os dois observaram o fenômeno por algum tempo.

Um dos detalhes que mais aparecem no relato é a insistência de Graves de que o céu estava completamente limpo. Para ela, isso era importante porque o objeto estava em uma altitude tão elevada que seria difícil percebê-lo em condições de céu nublado.

Os dois concluíram que aquilo não parecia ser um avião.

Depois, segundo a carta, o objeto continuou sua trajetória por uma distância considerável. Em determinado momento, entretanto, teria parecido permanecer praticamente parado no mesmo lugar durante bastante tempo.

Então aconteceu a parte mais estranha da descrição.

O objeto teria começado a subir cada vez mais até desaparecer completamente da visão dos dois observadores.

Graves também lamentou não ter uma lente teleobjetiva disponível naquele momento. Se tivesse o equipamento, acreditava que talvez pudesse ter conseguido fotografar aquilo que estava observando no céu.

A maneira como ela contou a história também revela que tinha consciência de como o relato poderia soar para outra pessoa. Logo no começo da carta, Graves brincou dizendo que esperava que a amiga não pensasse que ela havia começado a beber quando soubesse que ela e Tom tinham visto um disco voador sobre Durban.

Era uma forma bem-humorada de introduzir uma experiência que, naquele período, poderia facilmente ser recebida com descrença.

O detalhe que deixou o documento ainda mais interessante

Se a carta fosse apenas o relato isolado de uma testemunha, já seria uma peça curiosa da história dos OVNIs. Mas existe uma coincidência que elevou o interesse pelo documento.

No mesmo dia, dois oficiais da Força Aérea Sul-Africana também relataram ter observado objetos aéreos não identificados sobre Durban. Segundo a descrição fornecida pela Sworders, um cinejornal chegou a enviar uma equipe para entrevistar os militares sobre o episódio, registrando informações sobre o que eles haviam visto e em quais circunstâncias.

Isso não significa que o relato de Graves tenha sido confirmado pelos militares, muito menos que o objeto tenha sido identificado como uma nave extraterrestre. A coincidência, porém, é historicamente relevante.

A carta aparentemente foi escrita como uma correspondência privada, sem que Graves soubesse que outras pessoas, incluindo integrantes da Força Aérea, haviam relatado algo semelhante naquele mesmo dia.

Esse ponto ajuda a diferenciar o documento de relatos de OVNIs produzidos muitos anos depois dos acontecimentos. Aqui existe um registro contemporâneo, criado no período em que a testemunha dizia ter vivido a experiência.

A casa de leilões também destaca que o episódio envolvendo os militares foi preservado posteriormente em um cinejornal. De acordo com a descrição do lote, os relatos de avistamentos na África do Sul fizeram parte de uma onda mais ampla de ocorrências registradas naquele período.

Para quem pesquisa a história dos OVNIs, documentos desse tipo podem ser valiosos justamente porque permitem observar como as pessoas descreviam experiências incomuns antes que elas fossem transformadas em grandes histórias, lendas ou interpretações posteriores.

Por que uma simples carta de 1953 se tornou tão rara?

Existe outro aspecto fascinante nessa descoberta: o documento não estava guardado em um arquivo histórico.

Ele estava simplesmente perdido.

A carta foi localizada dentro de uma caixa de objetos e papéis diversos comprada em um mercado de pulgas no sudoeste da Inglaterra. O comprador aparentemente não estava adquirindo uma peça conhecida da história dos OVNIs. O documento estava misturado a outros itens sem relação entre si.

Essa origem ajuda a explicar por que documentos particulares dessa época são tão difíceis de encontrar.

Durante as primeiras décadas da chamada era moderna dos OVNIs, pessoas que afirmavam ter visto discos voadores frequentemente enfrentavam descrença e até ridicularização. Muitos relatos nunca foram publicados, enquanto cartas e anotações pessoais acabaram sendo descartadas, perdidas ou simplesmente esquecidas em gavetas e caixas.

Mark Wilkinson, porta-voz da Sworders, destacou justamente esse aspecto ao explicar a importância da descoberta. Segundo ele, a carta é um registro original em primeira pessoa produzido em 1953, em uma época na qual os relatos de objetos estranhos no céu despertavam atenção mundial, mas também eram recebidos com bastante ceticismo.

A própria Sworders afirma que não conhece outro documento privado comparável daquele período que tenha aparecido de forma relevante no mercado aberto de leilões. Por isso, a sobrevivência da carta é considerada excepcionalmente rara.

E existe uma ironia interessante nessa história.

Durante décadas, o documento aparentemente não teve importância suficiente para ser preservado em uma coleção especializada. Ele acabou em uma caixa de objetos usados e só voltou a despertar interesse quando alguém percebeu o que estava diante de seus olhos.

O contexto dos discos voadores nos anos 1950

Para entender por que um relato como esse chamou tanta atenção, é preciso voltar ao início dos anos 1950.

A expressão “disco voador” já havia entrado no imaginário popular e os relatos de objetos misteriosos no céu se multiplicavam em diferentes países. A Guerra Fria também ajudava a criar um ambiente de enorme interesse por aeronaves experimentais, tecnologia militar e possíveis ameaças vindas do céu.

Nos Estados Unidos, a Força Aérea havia criado o Projeto Blue Book para investigar relatos de objetos voadores não identificados. O programa se tornou uma das iniciativas mais conhecidas de investigação oficial sobre o fenômeno.

Nesse cenário, uma pessoa comum afirmar que tinha visto um objeto estranho poderia gerar tanto curiosidade quanto desconfiança.

A Sworders observa que, naquela época, muitas abordagens oficiais procuravam explicar avistamentos como possíveis erros de identificação, fenômenos psicológicos ou outros acontecimentos convencionais. Isso contribuiu para que algumas testemunhas preferissem contar suas experiências apenas a familiares e amigos, em vez de torná-las públicas.

A carta de Barbara Graves se encaixa nesse contexto de maneira particularmente interessante.

Ela não parece ter sido escrita com a intenção de criar uma grande história. É uma correspondência pessoal, enviada para alguém de confiança. A autora descreve o que viu, explica por que acreditou que não se tratava de um avião e admite até que gostaria de ter tido equipamento fotográfico mais adequado.

Esse caráter cotidiano faz com que o documento seja diferente de muitos relatos que surgiram posteriormente em livros e programas dedicados ao assunto.

Uma coincidência que continua sem explicação

O fato de Graves e Tom terem relatado um objeto no mesmo dia em que dois oficiais da Força Aérea Sul-Africana observaram algo semelhante é provavelmente a parte mais intrigante da história.

Mas é importante separar coincidência de comprovação.

A existência de testemunhas diferentes não revela automaticamente o que estava no céu. Mesmo observadores experientes podem interpretar incorretamente distância, velocidade, tamanho e movimento de um objeto quando ele está muito longe.

Um objeto visto em grande altitude pode parecer parado quando, na realidade, está se deslocando em uma trajetória diferente da percebida pelo observador. Da mesma forma, fenômenos atmosféricos, aeronaves convencionais, balões ou outros objetos podem assumir aparências incomuns dependendo das condições de observação.

Também existe uma questão fundamental: a carta não contém uma fotografia do objeto.

Graves estava com uma câmera, mas não possuía uma lente teleobjetiva que permitisse registrar claramente aquilo que havia visto. Assim, o documento preserva o testemunho, mas não uma imagem capaz de permitir uma análise visual independente.

Por isso, a descoberta deve ser entendida principalmente como um achado histórico e não como uma prova de que uma nave extraterrestre esteve sobre Durban.

O que pode ser afirmado com segurança é que uma mulher escreveu, em 1953, uma descrição de algo que ela e seu acompanhante acreditaram não ser um avião. Também é possível verificar que outros relatos de objetos não identificados foram associados à mesma região e à mesma data.

O que era aquele objeto continua sendo outra questão.

A carta foi parar em um leilão mais de 70 anos depois

Depois de passar décadas praticamente invisível, a carta foi incluída no leilão “Out of the Ordinary”, organizado pela Sworders em Stansted Mountfitchet, na Inglaterra.

O documento foi apresentado com uma estimativa de £300 a £500. O valor pode parecer relativamente modesto diante da história por trás da peça, mas o interesse pelo lote está justamente em sua raridade documental.

A descrição oficial informa ainda que o documento apresenta sinais de uso e armazenamento ao longo do tempo. Há uma pequena rasgadura na lateral, uma marca escura deixada por fita e as dobras típicas de uma carta que foi manuseada e guardada por muitos anos.

Esses sinais tornam a peça ainda mais curiosa. Não se trata de um documento produzido recentemente para parecer antigo, mas de uma correspondência que atravessou décadas até reaparecer em uma caixa de materiais aparentemente esquecidos.

A história também mostra como objetos aparentemente banais podem carregar informações inesperadas.

Uma carta particular pode não chamar atenção durante anos. Pode mudar de mãos, ser colocada em uma caixa, acabar em uma feira de antiguidades e quase ser descartada. Até que alguém perceba que aquelas páginas contam uma história que não havia sido registrada de forma conhecida em outro lugar.

O mistério continua exatamente onde começou

Mais de sete décadas depois, ainda não existe uma resposta definitiva para o que Barbara Graves e Tom observaram sobre Durban.

O documento não identifica a origem do objeto. Também não apresenta evidências capazes de determinar se aquilo era uma aeronave, um fenômeno atmosférico, algum equipamento desconhecido na época ou algo que continua sem explicação.

E talvez seja justamente isso que faça a descoberta permanecer tão interessante.

A carta não resolve o mistério. Ela preserva o mistério.

Em vez de oferecer uma resposta definitiva, o documento permite voltar ao momento em que duas pessoas estavam em um jardim botânico, tirando fotografias em um domingo aparentemente normal, quando olharam para o céu e perceberam algo que não conseguiram identificar.

O mais improvável é que a história tenha sobrevivido por tanto tempo quase por acidente.

Barbara Graves provavelmente jamais imaginaria que sua carta particular, enviada a uma amiga na Inglaterra, um dia seria retirada de uma caixa de objetos usados e apresentada como uma peça rara da história dos relatos sobre OVNIs.

Setenta e três anos depois do avistamento, a pergunta continua aberta: o que exatamente cruzou os céus de Durban naquele domingo de março de 1953?

A carta não consegue responder.

Mas, graças a ela, a pergunta voltou a ser feita.

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Renê Fraga é criador do Arquivo UFO e editor-chefe do Eurisko. Atua com projetos digitais desde 1996 e mantém interesse contínuo pela ufologia, história e investigação de fenômenos aéreos não identificados. No Arquivo UFO, dedica-se à preservação de registros históricos, documentos e análises contextuais, conectando passado e presente em uma abordagem crítica e investigativa.
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