Novo lote de arquivos sobre OVNIs revela estratégia secreta para reduzir interesse público no fenômeno

Renê Fraga
7 min de leitura

Principais destaques

  • Documentos mostram que a CIA recomendou uma política oficial para diminuir o interesse da população em relatos de OVNIs.
  • Arquivos recém-divulgados citam registros destruídos e respostas consideradas evasivas dadas a pesquisadores.
  • Um agente federal relatou ter visto um objeto semelhante ao carro voador da série Harry Potter nos céus dos Estados Unidos.

A terceira leva de documentos sobre objetos voadores não identificados divulgada pelo governo dos Estados Unidos trouxe menos relatos de luzes misteriosas e mais detalhes sobre como autoridades e agências de inteligência lidaram com o assunto ao longo das últimas décadas.

Os novos arquivos revelam discussões internas, investigações pouco conhecidas e até estratégias elaboradas para reduzir o impacto que os relatos de OVNIs exerciam sobre a opinião pública. Embora os documentos não apresentem evidências de origem extraterrestre, eles oferecem um raro olhar sobre os bastidores de um dos temas mais controversos da história moderna.

CIA queria retirar o mistério dos discos voadores

Entre os documentos mais curiosos está o registro de um painel científico organizado pela CIA nos anos 1950 para analisar os inúmeros relatos de discos voadores que surgiam nos Estados Unidos.

O grupo, chamado de Painel Consultivo Científico sobre Objetos Voadores Não Identificados, reuniu especialistas para avaliar se aqueles fenômenos representavam alguma ameaça à segurança nacional.

Após analisar os casos disponíveis, os cientistas chegaram a uma conclusão inesperada.

“Os discos voadores não representavam uma ameaça física direta à segurança nacional dos Estados Unidos.”

No entanto, os participantes acreditavam que outro risco estava crescendo rapidamente: a repercussão pública provocada pelas notícias sobre OVNIs.

Segundo os documentos, os especialistas demonstraram preocupação com o tratamento dado pela imprensa aos relatos e recomendaram uma política oficial de desacreditação.

O objetivo seria “retirar o assunto OVNI de seu mistério”.

A recomendação sugere que autoridades consideravam mais preocupante o impacto social das histórias sobre discos voadores do que os próprios objetos relatados pelas testemunhas.

Documento menciona destruição de registros antigos

Outro arquivo que promete gerar debates entre pesquisadores do tema foi produzido em 1958 por um funcionário ligado à CIA.

O documento registra uma conversa envolvendo o cientista Leon Davidson, conhecido por participar do projeto que ajudou a desenvolver a bomba atômica e que mais tarde passou a investigar relatos de OVNIs.

Segundo o memorando, Davidson buscava respostas sobre supostas mensagens vindas do espaço e sobre um possível transmissor relacionado ao fenômeno.

A resposta recebida, porém, foi surpreendente.

“Não podemos resolver suas questões porque os registros sobre esse assunto foram destruídos pela agência responsável pela avaliação.”

O autor do memorando também demonstrou desconforto com a resposta que foi orientado a fornecer ao pesquisador.

“A resposta extraordinariamente evasiva que fomos instruídos a dar talvez tenha sido a única possível.”

A declaração deve alimentar teorias de pesquisadores que há décadas afirmam que parte dos documentos relacionados aos OVNIs teria sido perdida, ocultada ou eliminada ao longo do tempo.

O misterioso objeto parecido com o carro voador de Harry Potter

Entre os relatos mais recentes presentes nos arquivos aparece um caso inusitado registrado em 2023.

Segundo um memorando produzido pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, um agente federal que trabalhava na região oeste do país observou um objeto incomum nos céus.

A descrição chamou atenção por fazer referência direta à famosa franquia Harry Potter.

O objeto teria aparência semelhante ao carro voador apresentado nos filmes da saga.

O documento inclui imagens produzidas por inteligência artificial para representar o que a testemunha afirma ter observado. As próprias autoridades ressaltam que as ilustrações foram criadas cerca de dois anos e meio após o ocorrido e servem apenas como uma reconstrução visual baseada na memória do observador.

Mesmo sem fotografias reais do fenômeno, o caso acabou incluído na coleção oficial de ocorrências ainda sem explicação.

Cartas, explosões misteriosas e investigações do FBI

Os novos arquivos também trazem correspondências históricas envolvendo o então diretor do FBI, J. Edgar Hoover.

Uma delas foi enviada em 1949 por um reverendo chamado Charles Barnes, que relatou ter observado quatro feixes de luz convergindo sobre as Montanhas Cascade, nos Estados Unidos.

Segundo seu relato, um fenômeno ainda mais estranho aconteceu logo depois.

“Uma grande explosão” teria surgido no ponto onde os feixes se encontravam.

Barnes afirmou que a luminosidade permaneceu visível por aproximadamente dez minutos antes de desaparecer.

Na resposta enviada pelo FBI, Hoover agradeceu o contato e informou que o caso seria encaminhado à Comissão de Energia Atômica. Ele sugeriu que o fenômeno poderia estar relacionado a algum experimento científico ou militar conduzido na época.

Walter Cronkite e um astronauta também discutiram o fenômeno

Os documentos divulgados incluem ainda trechos de uma entrevista realizada em 1962 entre o lendário jornalista Walter Cronkite e o astronauta Gordon Cooper, um dos pioneiros do programa espacial americano.

Durante a conversa, Cooper afirmou que muitas observações de objetos não identificados haviam sido feitas por pessoas altamente qualificadas.

“Um grande número de pessoas extremamente qualificadas observou objetos para os quais não existe uma explicação lógica.”

O astronauta também refletiu sobre a possibilidade de existirem outros mundos habitáveis além da Terra.

“Talvez exista algum tipo de vida humana em outro lugar.”

Embora as declarações não sejam apresentadas como evidência de vida extraterrestre, elas mostram que o tema era levado a sério até mesmo por profissionais envolvidos diretamente com a exploração espacial.

A nova coleção de documentos reforça uma realidade que atravessa gerações: apesar de décadas de investigações, milhares de páginas de relatórios e inúmeras testemunhas, o fenômeno dos OVNIs continua cercado por perguntas sem respostas definitivas. E, em alguns casos, os próprios arquivos revelam que parte dessas respostas pode nunca ser encontrada.

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Renê Fraga é criador do Arquivo UFO e editor-chefe do Eurisko. Atua com projetos digitais desde 1996 e mantém interesse contínuo pela ufologia, história e investigação de fenômenos aéreos não identificados. No Arquivo UFO, dedica-se à preservação de registros históricos, documentos e análises contextuais, conectando passado e presente em uma abordagem crítica e investigativa.
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