- O que é o PURSUE
- Linha do tempo: da Guerra Fria ao PURSUE
- Lote 1 (8 de maio de 2026): a abertura do programa
- Lote 2 (22 de maio de 2026): a primeira liberação multiagência
- Lote 3 (12 de junho de 2026): a entrada do FBI e a primeira avaliação formal de inteligência
- Panorama consolidado dos três primeiros lotes
- Casos mais notáveis dos três primeiros lotes
- O que ainda não foi resolvido e o que já tem explicação mais provável
- Tecnologias, sensores e o papel do AARO
- Impacto para pesquisadores, historiadores, militares e a comunidade científica
- E o quarto lote?
- O que mais chamou atenção nos três primeiros lotes
- Perguntas frequentes (FAQ)
- Quantos lotes o PURSUE já divulgou até agora?
- Quantos arquivos somam os três primeiros lotes?
- Quando o FBI passou a contribuir com o programa?
- O que é a Avaliação da Comunidade de Inteligência (ICA) mencionada no lote 3?
- Qual foi o caso mais detalhado divulgado nos três primeiros lotes?
- Algum dos três lotes confirma origem extraterrestre para os objetos?
- O que significa a classificação “não resolvido”?
- Onde posso acessar os arquivos originais dos três lotes?
- Qual período histórico os três primeiros lotes cobrem?
- Conclusão
Entre 8 de maio e 12 de junho de 2026, o Departamento de Guerra dos Estados Unidos publicou três lotes sucessivos de arquivos sobre Fenômenos Aéreos Anômalos (UAP) dentro do programa PURSUE, o Sistema Presidencial de Desselamento e Divulgação de Encontros com UAP.
Juntos, os três lotes somam quase 300 registros entre documentos, vídeos, áudios e imagens, provenientes de agências como o Departamento de Guerra, a CIA, o FBI, a NASA, o Departamento de Energia e o ODNI.
Nesta retrospectiva, reunimos o que foi divulgado em cada etapa, os casos mais relevantes e o que ainda permanece sem explicação oficial.
Um quarto lote, publicado em 10 de julho de 2026, já está disponível e é tratado em reportagem específica.
O que é o PURSUE
PURSUE é a sigla para Presidential Unsealing and Reporting System for UAP Encounters, o programa interagências criado a partir de uma determinação do presidente Donald J. Trump, formalizada em fevereiro de 2026, para localizar, revisar, desclassificar e divulgar publicamente registros, antigos e recentes, sobre Fenômenos Aéreos Anômalos (UAP) mantidos pelo governo federal americano.
A coordenação está a cargo do Gabinete do Secretário de Guerra, com participação do AARO (All-domain Anomaly Resolution Office), do ODNI e de agências como CIA, FBI, NASA e Departamento de Energia.
Em vez de uma divulgação única, o governo optou por um modelo de liberações contínuas, publicadas em lotes e hospedadas permanentemente no portal oficial WAR.GOV/UFO. Até o momento, quatro lotes já foram divulgados; esta retrospectiva cobre os três primeiros, publicados entre maio e junho de 2026.
Linha do tempo: da Guerra Fria ao PURSUE
- Projeto Sign (1947–1949): primeiro programa oficial da Força Aérea dos EUA para investigar avistamentos de discos voadores após a onda de relatos de 1947.
- Projeto Grudge (1949–1952): sucessor do Projeto Sign, com postura mais cética, atribuindo a maioria dos casos a fenômenos convencionais.
- Projeto Blue Book (1952–1969): o mais longevo dos programas, analisou milhares de relatos antes de ser encerrado.
- AATIP (2007–2012): Programa Avançado de Identificação de Ameaças Aeroespaciais, cuja existência só veio a público em 2017.
- UAPTF (2020): Força-Tarefa de Fenômenos Aéreos Não Identificados, criada para padronizar a coleta de relatos militares.
- AARO (2022): Escritório de Resolução de Anomalias Multidomínio, criado pelo Congresso para investigar UAP em todos os domínios.
- PURSUE (2026): atual programa de desclassificação e divulgação pública em lotes contínuos, objeto desta retrospectiva.
Lote 1 (8 de maio de 2026): a abertura do programa
O primeiro lote do PURSUE marcou a estreia oficial do programa e reuniu cerca de 160 arquivos, cobrindo um período de 82 anos, de 1944, com os relatos de “foo fighters” da Segunda Guerra Mundial, até observações de 2026. Foi, até então, a maior liberação única de material sobre UAP já feita pelo governo americano.
O núcleo do lote 1 foi formado por cerca de 44 relatórios de missão e depoimentos de operadores de sensores, além de aproximadamente 28 vídeos classificados como “Relatórios de UAP Não Resolvidos”, produzidos majoritariamente na área de responsabilidade do Comando Central dos EUA (CENTCOM) entre 2020 e 2026.
O lote também trouxe documentos históricos ligados à Segunda Guerra Mundial (arquivos do SHAEF, o Quartel-General Supremo das Forças Expedicionárias Aliadas, de 1944–1945) e transcrições e relatos de tripulações das missões Apollo, Gemini e Skylab.
O vídeo mais recente do lote, catalogado como DOW-UAP-PR49, foi captado em 2026 por um sensor do Exército dos EUA e mostra, ao longo de 1 minuto e 49 segundos, o rastreamento infravermelho de um objeto aéreo não identificado.
Lote 2 (22 de maio de 2026): a primeira liberação multiagência
Duas semanas depois, o segundo lote acrescentou cerca de 64 novos registros e marcou um avanço estrutural importante: pela primeira vez, o Departamento de Guerra dividiu o protagonismo com outras agências, CIA, ODNI, NASA e Departamento de Energia passaram a contribuir diretamente com o acervo.
Entre os destaques do lote 2 estão:
- Um vídeo (PR050) mostrando quatro objetos em formação sobre o Irã;
- Um caso (PR051) descrito como uma “aceleração instantânea” de um UAP sobre a Síria;
- Um episódio (PR071) em que um caça F-16C da Guarda Aérea Nacional teria sido acionado contra um UAP;
- Um caso registrado na costa leste dos EUA em dezembro de 2019 (PR086);
- Documentos históricos da Base Sandia, no Novo México, referentes ao período de 1948 a 1950;
- Um relatório de inteligência da CIA de 1973 sobre a extinta União Soviética;
- Material adicional relacionado à missão Apollo 12.
O elemento mais comentado do lote 2, no entanto, foi um relato em primeira pessoa (catalogado como ODNI-UAP-D001), assinado por um oficial de inteligência sênior ainda na ativa.
O relato descreve uma série de encontros próximos com UAPs ao longo de mais de uma hora, a partir de um helicóptero militar, no fim de 2025: duas esferas ovais, de cor laranja com centro branco, estacionárias logo acima do disco do rotor; um enxame de esferas menores formando um padrão triangular; e a decolagem de caças que, segundo o relato, foram seguidos pelas mesmas esferas.
Lote 3 (12 de junho de 2026): a entrada do FBI e a primeira avaliação formal de inteligência
O terceiro lote, divulgado um mês depois, trouxe 72 novos registros: 29 do FBI, 18 da CIA, 12 do Departamento de Guerra e 11 da NASA, além de documentos atribuídos de forma mais ampla à Comunidade de Inteligência e ao governo dos EUA. Por tipo de arquivo, foram 53 documentos em PDF, 10 imagens, 6 vídeos e 3 áudios.
Esse lote foi historicamente relevante por dois motivos: foi a primeira vez que o FBI contribuiu formalmente com registros para o programa, e a primeira vez que uma Avaliação da Comunidade de Inteligência (ICA, na sigla em inglês) formal sobre um caso específico foi tornada pública.
O caso central do lote 3 é o incidente de Colorado Springs, ocorrido em 2022, documentado por meio de uma entrevista formal do FBI (formulário FD-1057), uma renderização digital do objeto relatado por testemunhas e a própria avaliação da comunidade de inteligência sobre o episódio.
O lote também incluiu diversos relatos de campo e vídeos de avistamentos de “orbes” no nordeste dos Estados Unidos entre 2025 e 2026, um vídeo do FBI de 2024 mostrando um objeto semelhante, um cabograma de inteligência da CIA da era da Guerra Fria relacionado ao Zimbábue, o histórico Estudo do Exército dos EUA sobre Discos Voadores de 1949, e uma correspondência do FBI do mesmo ano.
Ao anunciar o lote, o Secretário de Guerra Pete Hegseth defendeu publicamente a decisão de tornar esses registros acessíveis à população americana, reforçando o discurso de transparência que acompanha o programa desde seu lançamento.
Panorama consolidado dos três primeiros lotes
| Lote | Data | Total de arquivos | Agências envolvidas | Marco histórico |
|---|---|---|---|---|
| Lote 1 | 08/05/2026 | ~160 | Departamento de Guerra | Lançamento do programa PURSUE |
| Lote 2 | 22/05/2026 | ~64 | Departamento de Guerra, CIA, ODNI, NASA, Departamento de Energia | Primeira liberação multiagência |
| Lote 3 | 12/06/2026 | 72 | FBI, CIA, Departamento de Guerra, NASA | Estreia do FBI e primeira Avaliação da Comunidade de Inteligência |
Tabela de tipos de arquivo por lote
| Lote | Documentos (PDF) | Vídeos | Áudios | Imagens |
|---|---|---|---|---|
| Lote 1 | Maioria dos ~160 arquivos | ~28 | Não especificado | ~14 |
| Lote 2 | Não especificado | Múltiplos, incluindo PR050 e PR051 | Sim (material Apollo 12) | Não especificado |
| Lote 3 | 53 | 6 | 3 | 10 |
Observação: os números dos lotes 1 e 2 variam ligeiramente entre diferentes fontes independentes de acompanhamento (160, 161 ou 162 arquivos, por exemplo), já que o Departamento de Guerra não publica um índice único em formato de dados abertos.
Casos mais notáveis dos três primeiros lotes
| Lote | Caso | Local / Data | Descrição |
|---|---|---|---|
| 1 | DOW-UAP-PR49 | 2026 | Rastreamento infravermelho de objeto por sensor do Exército, 1min49s |
| 2 | PR050 | Irã | Formação de quatro objetos captada em vídeo |
| 2 | PR051 | Síria | Objeto com “aceleração instantânea” relatada |
| 2 | PR071 | EUA | Caça F-16C da Guarda Aérea Nacional acionado contra UAP |
| 2 | ODNI-UAP-D001 | Fim de 2025 | Relato em primeira pessoa de oficial de inteligência sênior, encontro de mais de 1h a partir de helicóptero |
| 3 | Incidente de Colorado Springs | 2022 | Entrevista do FBI, renderização digital e primeira Avaliação da Comunidade de Inteligência |
| 3 | Estudo do Exército sobre Discos Voadores | 1949 | Documento histórico sobre a resposta militar aos primeiros relatos do pós-guerra |
O que ainda não foi resolvido e o que já tem explicação mais provável
Em nenhum dos três primeiros lotes o governo americano apresentou prova de tecnologia ou origem extraterrestre.
A grande maioria dos vídeos permanece classificada oficialmente como “não resolvida”, uma categoria que indica apenas que a origem do objeto não pôde ser confirmada com os dados disponíveis, sem sugerir qualquer conclusão sobre sua natureza.
Casos como o relato em primeira pessoa do lote 2 (ODNI-UAP-D001) e o incidente de Colorado Springs no lote 3 se destacam justamente por reunirem múltiplas testemunhas, sensores independentes e, no segundo caso, uma avaliação formal de inteligência, elementos raros no conjunto de dados divulgado até aqui.
Ainda assim, mesmo esses casos permanecem sem uma identificação conclusiva por parte das agências responsáveis.
Tecnologias, sensores e o papel do AARO
A maior parte dos vídeos divulgados nos três lotes foi captada por sistemas eletro-ópticos e infravermelhos (EO/IR) instalados em caças, veículos aéreos não tripulados e, eventualmente, sensores civis.
O AARO, Escritório de Resolução de Anomalias Multidomínio, atua como o principal ponto de triagem técnica desses vídeos, aplicando um aviso padrão em cada registro para deixar claro que a descrição do conteúdo tem caráter apenas informativo, sem representar um julgamento investigativo sobre a origem do objeto.
Impacto para pesquisadores, historiadores, militares e a comunidade científica
Para a comunidade de pesquisadores independentes e entusiastas da ufologia, os três primeiros lotes formam a base de dados mais robusta já disponibilizada publicamente por um governo sobre o tema, permitindo cruzamentos com bancos como o NUFORC e o MUFON.
Para historiadores, documentos como o Estudo do Exército de 1949 e os registros da Segunda Guerra Mundial oferecem material primário raro sobre como diferentes gerações do establishment militar americano trataram o assunto.
Para militares e analistas de defesa, o interesse recai sobre os aspectos operacionais, como sensores multissensor lidam com objetos não identificados durante missões ativas, enquanto para a comunidade científica o valor está na possibilidade de aplicar métodos analíticos rigorosos a um conjunto de dados agora auditável publicamente, ainda que sem qualquer confirmação sobre hipóteses extraterrestres.
E o quarto lote?
Em 10 de julho de 2026, o Departamento de Guerra publicou um quarto lote, com 40 novos arquivos — entre eles vídeos sobre o Oceano Atlântico e o oeste e leste dos Estados Unidos, além da primeira participação mais robusta do Departamento de Energia no acervo. Os detalhes completos dessa liberação mais recente estão reunidos nesta reportagem específica sobre o lote 4.
O que mais chamou atenção nos três primeiros lotes
- O lote 1 sozinho cobriu 82 anos de história, de 1944 a 2026.
- O lote 2 foi o primeiro a reunir cinco agências diferentes em um único pacote.
- O relato em primeira pessoa do lote 2 é, até hoje, um dos depoimentos mais detalhados já publicados oficialmente.
- O lote 3 foi o primeiro a incluir uma Avaliação formal da Comunidade de Inteligência sobre um caso específico.
- O FBI só passou a contribuir com arquivos a partir do terceiro lote.
- O caso de Colorado Springs (lote 3) reúne entrevista, renderização digital e avaliação de inteligência — um conjunto raro de evidências complementares.
- Documentos da Segunda Guerra Mundial sobre “foo fighters” figuram entre os registros mais antigos já divulgados pelo programa.
- Nenhum dos três lotes apresentou prova de tecnologia não convencional.
- O Departamento de Guerra concentrou a maior parte dos arquivos entre os três lotes, à frente de CIA, FBI e NASA.
- O programa não publica um índice de dados aberto, o que gera pequenas divergências entre contagens de fontes independentes.
Perguntas frequentes (FAQ)
Quantos lotes o PURSUE já divulgou até agora?
Quatro, publicados em 8 de maio, 22 de maio, 12 de junho e 10 de julho de 2026.
Quantos arquivos somam os três primeiros lotes?
Aproximadamente 296 arquivos, somando os cerca de 160 do lote 1, 64 do lote 2 e 72 do lote 3.
Quando o FBI passou a contribuir com o programa?
A partir do terceiro lote, em junho de 2026.
O que é a Avaliação da Comunidade de Inteligência (ICA) mencionada no lote 3?
É um documento formal de análise produzido por agências de inteligência sobre um caso específico, no caso, o incidente de Colorado Springs, de 2022. Foi a primeira vez que um documento desse tipo apareceu no acervo do PURSUE.
Qual foi o caso mais detalhado divulgado nos três primeiros lotes?
O relato em primeira pessoa de um oficial de inteligência sênior, publicado no lote 2, descrevendo um encontro de mais de uma hora com objetos luminosos a partir de um helicóptero militar.
Algum dos três lotes confirma origem extraterrestre para os objetos?
Não. Nenhum documento ou vídeo divulgado até o terceiro lote apresenta prova de tecnologia ou vida de origem extraterrestre.
O que significa a classificação “não resolvido”?
Indica que a agência responsável não conseguiu identificar a origem do objeto com os dados disponíveis, sem que isso implique qualquer conclusão sobre sua natureza.
Onde posso acessar os arquivos originais dos três lotes?
Todos ficam permanentemente disponíveis no portal oficial WAR.GOV/UFO, organizados por data de liberação.
Qual período histórico os três primeiros lotes cobrem?
De 1944, com relatos da Segunda Guerra Mundial, até observações de 2026, incluindo material das eras da Guerra Fria e do programa espacial Apollo.
Conclusão
Os três primeiros lotes do PURSUE consolidaram, em pouco mais de um mês, o maior acervo público já reunido por um governo sobre Fenômenos Aéreos Anômalos: quase 300 arquivos, seis agências federais diferentes e um período histórico que atravessa oito décadas.
O padrão observado desde o início se manteve, nenhuma prova definitiva de tecnologia não convencional, mas uma quantidade crescente de casos com múltiplas testemunhas, sensores independentes e, a partir do lote 3, avaliações formais de inteligência.
Com o quarto lote já disponível e novas liberações prometidas para as próximas semanas, o acervo do PURSUE segue crescendo e, com ele, o desafio de separar fato documentado de hipótese e especulação.
