Principais destaques
- Astrônomos ligados ao Observatório Astronômico Principal da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia dizem ter identificado mais de 20 objetos não identificados em imagens de alta velocidade feitas durante observações da Lua em 2025.
- Um preprint atribui a alguns desses objetos dimensões entre 25 e 40 quilômetros e velocidades que poderiam chegar a 11 km/s.
- Apesar das afirmações impressionantes, o trabalho ainda não passou por revisão por pares e não existe confirmação independente de que os alvos sejam naves, estruturas artificiais ou tenham origem extraterrestre.
A ideia de que algo desconhecido possa estar circulando perto da Lua costuma despertar imediatamente a imaginação.
Desta vez, porém, a história ganhou um ingrediente particularmente intrigante: pesquisadores associados ao Observatório Astronômico Principal da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia afirmam ter registrado mais de 20 objetos que não conseguiram identificar em imagens obtidas durante observações do nosso satélite natural.
Os registros foram feitos com câmeras capazes de trabalhar em alta velocidade, e os pesquisadores analisaram imagens nas quais a Lua aparece como referência. Segundo os autores, alguns dos objetos pareciam permanecer próximos ao disco lunar, enquanto outros aparentavam atravessar sua superfície.
A pesquisa não surgiu apenas de uma publicação recente. Os pesquisadores Boris Zhilyaev, Vladimir Petukhov e Sergey Pokhvala divulgaram diferentes trabalhos sobre o fenômeno desde 2025. Um dos estudos, disponibilizado em novembro daquele ano, descrevia mais de 20 objetos e propunha uma divisão entre aquilo que os autores chamaram de objetos “atmosféricos” e “continentais”.
O que os pesquisadores dizem ter encontrado
No trabalho mais recente, intitulado UFO Dynamics on the Moon, os pesquisadores apresentam uma interpretação ainda mais ousada para os registros. O estudo foi disponibilizado como preprint em março de 2026 e, portanto, ainda não passou pelo processo tradicional de revisão por pares.
De acordo com os autores, os chamados objetos “atmosféricos” apresentariam flashes extremamente rápidos, com duração entre 100 e 500 milissegundos. A intensidade luminosa também teria variações em frequências de alguns hertz.
Já os chamados objetos “continentais” seriam os mais impressionantes. Os pesquisadores estimam que alguns objetos em formato de disco poderiam ter entre 25 e 40 quilômetros de diâmetro. Para efeito de comparação, isso significa que um único objeto dessa escala seria muito maior do que muitas cidades.
O estudo também descreve uma estrutura em formato de toro, semelhante a um anel, com aproximadamente 36 quilômetros. Segundo os cálculos apresentados pelos autores, esse objeto teria alcançado uma velocidade de aproximadamente 11 quilômetros por segundo.
Em uma versão anterior do trabalho, publicada em janeiro de 2026, os pesquisadores haviam estimado dimensões entre 14 e 36 quilômetros e velocidades entre 6 e 11 km/s. A análise também mencionava formas reconstruídas que seriam semelhantes a discos e estruturas toroidais.
Esses números são extraordinários, mas é justamente aí que começa a principal questão científica: como determinar com segurança o tamanho e a distância de algo que aparece apenas como uma pequena marca em uma imagem?
A grande dificuldade está na distância
Para transformar um ponto luminoso ou uma pequena forma registrada por uma câmera em uma estrutura de dezenas de quilômetros, é necessário conhecer com precisão a distância do objeto.
Esse cálculo pode ser extremamente difícil quando existe apenas uma imagem ou quando não há uma medição independente capaz de determinar a posição tridimensional do alvo. Um objeto relativamente pequeno e próximo da câmera pode produzir uma imagem angular semelhante à de um objeto gigantesco muito mais distante.
Esse tipo de problema é especialmente relevante quando o alvo é observado na direção da Lua. A presença do nosso satélite como pano de fundo pode dar uma impressão visual poderosa, mas não significa necessariamente que o objeto esteja fisicamente sobre a superfície lunar.
Uma reportagem publicada sobre o caso também destacou questionamentos anteriores relacionados justamente à metodologia utilizada pelos pesquisadores ucranianos. Erros na determinação da distância poderiam, em determinadas circunstâncias, fazer com que objetos comuns próximos à câmera fossem interpretados como estruturas enormes e extremamente rápidas.
Isso não significa que os registros sejam automaticamente falsos. Significa apenas que existe uma diferença enorme entre dizer que uma câmera capturou algo que não foi identificado e concluir que esse algo é uma nave de 40 quilômetros.
Na ciência, essa diferença é fundamental.
Um objeto pode ser classificado como “não identificado” simplesmente porque os dados disponíveis não são suficientes para explicar o que aparece na imagem. O termo, portanto, não é sinônimo de “extraterrestre”.
A própria NASA utiliza uma definição semelhante para UAP, sigla em inglês para fenômenos anômalos não identificados. A agência explica que são observações que não podem ser identificadas como aeronaves ou fenômenos naturais conhecidos a partir dos dados disponíveis.
A hipótese de uma base alienígena na Lua
É nesse ponto que a pesquisa deixa o campo das observações e entra em uma hipótese muito mais extraordinária.
Os autores do estudo afirmam acreditar que a Lua poderia funcionar como uma espécie de base para esses UFOs. Na interpretação apresentada no trabalho, os objetos observados na região lunar poderiam estar relacionados aos fenômenos identificados anteriormente na Terra e no espaço próximo à Terra.
O estudo chega a propor que objetos desse tipo poderiam alcançar a Terra em aproximadamente 20 minutos. Os pesquisadores também descrevem os UFOs como capazes de apresentar comportamento inteligente e os associam a uma possível civilização tecnologicamente avançada.
É uma conclusão que, naturalmente, chama muita atenção.
Se existissem estruturas artificiais com dezenas de quilômetros próximas da Lua, o impacto científico seria gigantesco. Uma descoberta dessa magnitude mudaria não apenas a astronomia, mas também nossa compreensão sobre a origem da vida e da tecnologia no Universo.
O problema é que uma hipótese extraordinária exige evidências igualmente fortes.
Até o momento, os dados apresentados não demonstram que os objetos sejam construções artificiais. Também não há uma confirmação independente de que estejam realmente localizados na Lua ou em órbita lunar.
O próprio histórico recente da pesquisa mostra por que a cautela é necessária. Em trabalhos anteriores, o grupo já havia descrito outros tipos de UAP, incluindo objetos escuros observados no céu e fenômenos registrados em diferentes circunstâncias. Um preprint publicado em 2025, por exemplo, relatou objetos com tamanhos estimados em vários quilômetros e velocidades muito elevadas.
Isso mostra que existe uma linha de pesquisa contínua por parte do grupo, mas não substitui a necessidade de verificação independente.
Mais de 20 objetos não significam mais de 20 naves
Outro ponto importante é entender como a quantidade de objetos foi determinada.
Os pesquisadores dizem ter contado mais de 20 alvos nos registros de alta velocidade. Isso é diferente de observar 20 veículos claramente definidos, com detalhes suficientes para identificar formato, estrutura, material ou tecnologia.
Alguns dos registros são pequenos e apresentam informações limitadas. Em situações assim, ruído eletrônico, efeitos ópticos, problemas de processamento, reflexos ou outros elementos presentes no campo de visão podem gerar padrões que parecem objetos reais.
Por isso, uma análise científica mais robusta precisaria reproduzir as observações, utilizar equipamentos independentes e, idealmente, observar os mesmos alvos simultaneamente a partir de diferentes locais.
Essa última possibilidade seria particularmente importante. Se dois observatórios separados conseguissem registrar o mesmo objeto ao mesmo tempo, seria possível comparar as imagens e calcular sua posição e trajetória com muito mais segurança.
A confirmação independente também ajudaria a responder uma pergunta essencial: os objetos realmente estão próximos da Lua ou apenas aparecem na mesma direção no céu?
Essa distinção poderia mudar completamente a interpretação dos resultados.
O que a NASA diz sobre UFOs e extraterrestres
O interesse científico por fenômenos não identificados é real. A NASA mantém um programa dedicado ao estudo dos UAPs e publicou um relatório independente sobre o assunto em 2023.
Mas a posição da agência é bastante mais cautelosa do que a interpretação apresentada no estudo ucraniano. Em suas perguntas e respostas oficiais, a NASA afirma que não encontrou evidências críveis de vida extraterrestre e que não existem evidências de que os UAPs sejam extraterrestres. A agência também ressalta que muitos relatos possuem dados insuficientes para permitir conclusões científicas.
O relatório independente da NASA segue a mesma linha. Segundo o documento, não há, na literatura científica revisada por pares, evidência conclusiva de origem extraterrestre para os UAPs. A recomendação central é melhorar a qualidade dos dados antes de tentar determinar a origem desses fenômenos.
Essa postura não significa que a NASA considere todas as observações explicadas. Pelo contrário. Um fenômeno pode continuar sem explicação por falta de informações suficientes.
E essa é justamente uma das características mais interessantes desse caso lunar.
O mistério ainda está longe de ser resolvido
As imagens apresentadas pelos pesquisadores ucranianos são intrigantes, especialmente porque os objetos descritos teriam dimensões e velocidades extraordinárias. O fato de o grupo continuar publicando análises sobre o fenômeno também torna o caso interessante para quem acompanha a busca por UAPs.
Mas, por enquanto, existe uma distância considerável entre “detectamos algo que não conseguimos identificar” e “encontramos uma frota de naves extraterrestres gigantes na Lua”.
O primeiro ponto é uma alegação de observação. O segundo é uma interpretação que exige muito mais evidências.
Também é importante destacar que o trabalho mais recente continua sendo um preprint. Isso significa que outros especialistas ainda precisam avaliar detalhadamente os métodos, cálculos, imagens e conclusões antes que os resultados possam ser considerados estabelecidos pela comunidade científica.
Se futuras observações independentes encontrarem os mesmos objetos, determinarem suas distâncias e confirmarem suas dimensões e velocidades, a história mudará de patamar.
Por enquanto, porém, os mais de 20 supostos UFOs permanecem exatamente como o próprio termo sugere: objetos não identificados.
E talvez essa seja a parte mais fascinante da história. Não porque exista uma prova de que alienígenas construíram uma base na Lua, mas porque imagens aparentemente simples ainda podem levantar perguntas enormes sobre aquilo que realmente estamos vendo no céu.
